O grande ziguezague!

Dizem-nos os dicionários que a palavra “ziguezague” nos chegou pelo alemão – zickzack – e pelo francês – zigzag. Diz-se que quem ziguezagueia, tem um modo de andar sinuoso, aos esses, ou acumula uma série de mudanças sucessivas.

Nos últimos tempos, bem perto de nós, a perfeita ilustração, em bom português, chega-nos, claro está, pela incoerência socialista.

Se na Assembleia Legislativa pareceu bem, aos senhores do PS, defender um “choque fiscal” para a Região, na Câmara Municipal do Funchal, onde podem aplicá-lo, decidem precisamente o contrário.

Resultado?

O Orçamento para a Região promove a maior baixa de impostos de sempre. O Orçamento para o Funchal é mais do mesmo. Repete ideias, projetos, conteúdos e, como senão bastasse, neste momento de necessidade extraordinária, o executivo municipal não baixa impostos e nem sequer submete, à Assembleia Municipal, a derrama nem o IRS. Aliás, orçamento municipal, esse, que nenhuma força da oposição quis aprovar. Quer dizer alguma coisa, não quer?

Um ziguezague. Um imposto a menos aqui, um outro a mais acolá.

Em 2020, o PSD apresentou, nas reuniões de Câmara e na Assembleia Municipal do Funchal, distintas propostas de apoio às famílias e às empresas que, apesar de aprovadas, não estão no terreno. Mil e uma desculpas depois, o que assistimos é a um rol de promessas, de planos a vários anos noutras áreas e de nenhum apoio concreto que salvaguarde, no momento, quem atravessa esta crise pandémica. As meias mesas de madeira distribuídas aos comerciantes funchalenses, por um presidente sem máscara, em agosto, para serem fixadas no exterior dos estabelecimentos, não contam, pois não?

Por falar em máscaras… foi também o PS que, em julho, achou que não se devia promover o uso obrigatório e generalizado das máscaras. Começou por ignorar uma medida que, tardiamente, veio a ser seguida por Portugal Continental e por outras cidades europeias, dizendo que ia afastar o turismo. Acabou, pasme-se, por vir a aprová-la na Assembleia Legislativa.

Um ziguezague com máscara? Ao menos, já perceberam que vão protegidos.

Mas há mais.

O edil funchalense gosta de ir à televisão. E de falar na rádio. Tirar fotos. Aparecer nas redes sociais. E em plataformas digitais criadas de propósito para postar notícias do Funchal. Haja dinheirinho… (Que estúpida, sempre a dar com a língua nos dentes!)

Bem, nas últimas vezes, o autarca decidiu aparecer e exigir medidas ao Governo Regional por causa da pandemia. Coisas que, o próprio (sim, ele próprio!) assumiu não ter competência para decidir. Mas falar, todos falam. Isto depois de ter insistido nos seus eventos natalícios, mas…

Dias depois, veio a Câmara pedir ao povo que desentupa as levadas! A mim não me custa calçar as botas de água e meter as mãos na levada… mas alguém precisa de refrescar a memória sobre as suas competências?

Um ziguezague mental na Praça do Município. Falharam a aula sobre as tarefas da autarquia.

Esperemos pelos próximos episódios. Triste de quem fica refém deste desnorte. É pôr a máscara e as botas de água enquanto o Funchal viver neste grande ziguezague.