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Artigo de Opinião

Presidente do Conselho Regional da Ordem dos Advogados

1/05/2024 08:00

Olho para o lado e vejo no telemóvel, JS - 04:44.

Pois é, hora de escrever o texto para o Jornal da Madeira. Toca a ler as capas dos jornais e das revistas e, notícia de interesse, apenas uma: “Marítimo sobe de divisão”. Já ia enviar mensagens de felicitações aos meus amigos, quando olho bem para a capa do JM e, vejo uma fotografia do antigo estádio dos Barreiros e, no cimo, “Jornal da Madeira, 16 de Maio de 1977”.

Enfim, isto de arranjar um tema atual e interessante para escrever, não é fácil.

Ainda pensei escrever sobre o 1º de maio, Dia do Trabalhador e contar as minhas vivências de infância, os piqueniques na serra, os colares feitos com maios bem amarelos, o cheiro da giesta e, para os mais velhos, a brincadeira repetida entre os homens do “saltar à laje”.

Mas não, lembrei-me do senhor do “se fosse comigo”. Pedi à minha colaboradora para telefonar, dizendo que precisava falar-lhe e que não tinha de pagar consulta. Resposta quase imediata: O senhor já vem a caminho, mas diz que a consulta é para pagar. Não lhe disse que não pagava consulta? Pois disse, respondeu a minha colaboradora, mas o senhor disse que, não pagava, mas que, se o doutor queria falar com ele, então o doutor é que tinha de pagar-lhe.

Nem cinco minutos passaram e, ouvi: Bom dia doutor, vai pagar em cartão ou dinheiro.

Bom dia, é com o cartão, por favor depois emita o recibo.

Bem, isto por causa dos novos escalões de IRS que o governo está a criar, tenho de ter cuidado, por isso, olhe deixe estar, também a verdade é que o doutor quando vai à televisão, eu ligo para lá para o doutor responder a algumas dúvidas e, também não pago nada, assim ficamos quites.

Faço-o de bom gosto e no cumprimento do meu dever social e colaboração com o serviço público da RTP Madeira, respondi.

Expliquei que, estava a escrever a crónica para o JM e, queria saber a opinião dele sobre o 25 de abril.

Doutor, disse ele, se fosse comigo, nenhum madeirense tinha ido àquelas marchas.

É contra a revolução, perguntei-lhe.

Não, antes pelo contrário, sou muito a favor, mas já viu tamanha falta de liberdade e de respeito pelos madeirenses, não permitindo que eu possa votar antecipadamente para as eleições regionais, só se fosse para a guerra ou estivesse doente. Ainda sábado, tive as eleições do meu FCP e fui ao Porto votar, mas foi marcado com bastante antecedência.

Sabe, isto foi marcado agora à última da hora e, tenho o meu filho que faz a queima das fitas e já tenho viagem e hotel marcados.

E, fica cá ou vai à queima das fitas?

Vou à queima das fitas, é só uma vez, graças a Deus o pequeno é de boa cabeça, agora eleições, vão haver muitas mais proximamente e ao que parece, outras tantas brevemente se seguirão.

Doutor, não escreva isto, mas, já agora que vou lá estar, aproveito e vou ver a final da taça de Portugal, acho que vai ser o último título para o Pinto da Costa. Aquilo não se faz ao homem, despediu-se do trabalho há 42 anos para ser presidente do F C Porto e, agora, mandam o homem embora. Nem sei se ele vai ter direito a reforma, já viu.

Então, já tem assunto suficiente para o seu texto? Veja lá, porque ainda ontem um amigo meu disse-me: Diz lá ao teu Advogado para melhorar os textos que escreve para o JM.

E, o que lhe respondeu, perguntei-lhe?

Doutor, fiquei tão irritado que, tirei o papelinho do bolso e disse: seu tonto, o meu Advogado escreve e fala bem, vê o que ele tem dito e escrito sobre as alterações ao estatuto da ordem dos Advogados e sobre a necessidade de nos fazermos acompanhar de Advogado quando fazemos negócios ou quando estão em causa os nossos direitos e, olha até no outro dia, usou esta palavra que está escrita neste papelinho que era uma da maiores do dicionário - no papel estava escrito, anticonstitucionalissimamente.

Ele ainda me perguntou se sabia o que aquilo queria dizer. Não me desarmei e disse que sabia e, se por acaso, não soubesse, ia com o meu advogado e ele explicava. E acabei dizendo, da próxima escreve tu.

No final da conversa, meio envergonhado, perguntou-me: o que é que significa mesmo aquela palavra do anti... qualquer coisa.

Sorri e respondi: meu amigo, leia a crónica que vou escrever no JM, daqui a quatro semanas e, saberá o significado dessa palavra.

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