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Artigo de Opinião

7/06/2021 08:00

Pela primeira vez as mais altas figuras do Estado juntam-se na nossa Região, para elevar a voz do nosso País, a voz da solidariedade, a união de toda a portugalidade reunida neste pequeno território rodeado por um imenso atlântico.

São estes os momentos para afirmarmos a nossa voz, exigir um País como um todo, desde o interior mais profundo do território continental, ao cosmopolitismo das cidades costeiras, aos dois arquipélagos, assim como toda a nossa diáspora espalhada por todos os continentes.

Aqui, na nossa Região, muito se grita contra a República. Grita-se pela alegada falta de solidariedade, grita-se para pedinchar, grita-se por tudo e por nada, sem sequer pensar que algures no continente, há outras regiões menos favorecidas que as nossas e que também precisam da nossa solidariedade. Mas, egoisticamente, continuamos numa berraria, muitas vezes sem sentido, por vezes a roçar a ofensa, apenas para tentar passar ideia de que somos preteridos pelo braço musculado da República.

É verdade que temos de nos afirmar, de nos impor, de negociar com mais dureza, para que consigamos acrescentar mais à nossa Região, mas temos de ser justos e saber reconhecer quando o Estado vai até mais além do que aquela que seria a sua obrigação. Mas para isso é também preciso seriedade e competência, coisa que tem faltado a este Governo.

Por exemplo, não tem muitos dias, os nossos governantes criticaram o Governo da República por causa do financiamento do novo hospital! Então a República decidiu atribuir à Região 50% do financiamento desta importante infraestrutura, de uma área que está totalmente regionalizada, e ainda dizemos mal e criticamos o continente por isso! Haja paciência!

Agora, com o Plano de Recuperação e Resiliência, a República concedeu a cada uma das Regiões Autónomas 5% desse grande bolo recheado de Euros (quando na realidade representamos apenas 2,5% da população do País) e convidou, e bem, os Governos Regionais a fazerem parte da Comissão de Acompanhamento. O que é o Vice-Presidente do Governo Regional faz? Grita por mais! Como já vai estar na Comissão agora exige mais lugares nessa comissão. Mas, contraditoriamente, aqui na Região chumbam na Assembleia a criação de uma Comissão Regional de acompanhamento, para depois admitirem a sua existência (só porque seria absurdo não existir) mas sem que figuras independentes de destaque façam parte e excluindo os municípios, tudo para que o Governo Regional possa fazer o que quer, sem escrutínio. No Continente e nos Açores, ao contrário de cá, uma parcela considerável desse bolo é destinada diretamente às autarquias, que vão, dentro de cada uma das diferentes áreas de intervenção do PRR, escolher onde melhor investir em cada freguesia. A proximidade é elevada ao seu máximo, por cá, é tudo para o Sr. Governo decidir a seu bel-prazer. Dizem que vão investir milhões em cada um dos concelhos, mas, quem gere esses concelhos, nem direito a opinar tem. Vale tudo! Só espero que consigam executar tudo e dentro dos prazos que são apertados. Talvez aí se lembrem que os municípios tinham um papel fundamental a desempenhar.

É por isso que este dia de Portugal, comemorado pela primeira vez na Madeira, terá de ser o momento para gritar vivas ao nosso país, porque queremos um Portugal unido, onde haja igualdade, independentemente de as pessoas viverem no Funchal, na Ponta do Sol, no Porto Moniz, em Machico, ou em qualquer outro lugar. Somos todos madeirenses, mas acima de tudo, somos todos Portugueses.

Viva Portugal.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Coordenadora do Centro de Estudos de Bioética – Pólo Madeira
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