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Artigo de Opinião

19/11/2022 08:00

Verde: Rastreio de Saúde Visual Infantil

Foi ontem apresentado o Rastreio de Saúde Visual Infantil, na Região Autónoma da Madeira, em que o serviço de saúde se propõe a rastrear e identificar problemas visuais e a evitar a sua evolução em crianças. Este rastreio de base populacional, dirigido às crianças de 4 anos, vai permitir a detecção e tratamento da ambliopia, conhecida como "olho preguiçoso", que se caracteriza pela diminuição da acuidade visual de um olho ou dos dois olhos devido a problemas no desenvolvimento da visão durante a primeira infância. Este é o quinto rastreio de base populacional na RAM, seguindo-se ao Cancro da Mama, Retinopatia Diabética, Cancro do Colo do Útero, Cancro do Cólon e Reto, em mais uma declarada aposta na prevenção de doença.


Amarelo: Regressar Saúde

O programa Regressar Saúde, proposto pela Assembleia da República ao Governo, visa criar condições apelativas e incentivos ao regresso de profissionais de saúde a Portugal, nomeadamente médicos e enfermeiros, numa tentativa de colmatar as carências graves do Serviço Nacional de Saúde. E se à partida isto possa ser, ou pelo menos parecer, uma iniciativa louvável e que demonstra alguma vontade de tentar resolver o caos instalado no SNS, não será à toa que os enfermeiros portugueses iniciaram, na passada quinta-feira, uma greve de 4 dias. Ou seja, analisando as reivindicações apresentadas pelos enfermeiros grevistas, será criado um apelo ao regresso para as mesmas condições de trabalho que fizeram, em primeira instância, estes profissionais irem embora. Um autêntico paradoxo. O facto inegável em toda esta situação, é que as dores desta classe profissional continuam a ser as mesmas, desde ganharem menos que os restantes licenciados na função pública, à contagem dos pontos da carreira que tardam a reflectir-se em pagamento efectivo. Que se tente fazer regressar quem está fora, é louvável, mas primeiro que se trate quem temos em casa.


Vermelho: O esfumar de 24 médicos internos de especialidade

Há uma Região Autónoma, cujo serviço de saúde é exemplo a nível nacional, que ganha prémios internacionais, onde se aposta na formação e consolidação da progressão nas carreiras dos profissionais de saúde, onde para a classe médica, existe um incentivo mensal de 700 euros, que acresce ao salário base e às horas extraordinárias, pago a TODOS os médicos, e onde existe uma majoração do vencimento base em 40%, como incentivo à fixação dos mesmos, na tal região, por um período mínimo de 3 anos.

Para além da reconhecida mestria, das condições laborais que já percebemos, não serem nada de deitar fora, nessa Região, o serviço de saúde tem idoneidade e capacidade formativa. Perante estes factos, a Região solicitou 62 vagas para o internato médico de especialidade, e recebeu apenas 38 lugares para o ano de 2023. Uma vaga a mais que no ano anterior, sacada provavelmente com recurso a fórceps. É notório que a não atribuição de mais vagas, não se prende com condições laborais, falta de mérito e muito menos com a capacidade formativa dos nossos serviços, mas o que é certo, é que em 2023, teremos a lamentar o desaparecimento de 24 médicos internos. A Madeira foi mais uma vez prejudicada.

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