A música transporta-nos sempre para momentos, lugares, pessoas, é uma característica de vínculo perene, muitas vezes saudosista.
Por estes dias fiz-me acompanhar pelos irmãos Gallagher, regressei à saudosa década de 90, à partilha de um auscultador com um dos melhores amigos de sempre, a ouvir “Wonderwall” no autocarro do clube a caminho de um jogo de futebol, fora ele que me apresentara aos Oasis com o empréstimo do álbum “Definitely Maybe”, e a partir daí, estes nunca mais abandonaram a minha seleção no éter, estando entre os meus favoritos.
Na década de 90, convivíamos fisicamente, estávamos presentes na vida uns dos outros e na nossa própria vida, éramos invisíveis e felizes. A vida era vivida enquanto experiência real, não existiam smartphones, as redes sociais não tinham expressão, a ciência tinha valor e credibilidade, o jornalismo informava sem grande viés ideológico e tinha como grande objectivo informar e não entreter ou doutrinar.
3 décadas volvidas a necessidade de aparecer, de ter visibilidade, de ostentar, assumiram o controlo da existência. A criação de ídolos, o deificar do Homem, tudo movido e controlado pelo dinheiro.
O Mundo mudou e não foi para melhor, isto é, não se assiste a uma evolução em virtude e verdade, mas exatamente ao oposto, a mentira e o mal espreitam em cada esquina.
O desnorte decorre da perda de valores e da inexistência de padrões referenciais e norteadores de acção humana, padrões esses necessariamente elevados. De facto neste momento a estupidez ganha palco A.Camus já o vaticinava em “A Peste” – a estupidez insiste sempre, esta tentativa de reescrever a história de forma claramente iconoclasta e com agenda, temos recentemente o triste exemplo de em “prime time” afirmar-se que Jesus Cristo era palestino, ofende-me a mim enquanto Cristão, mas acima de tudo ofende a História, e entristece ver a comunicação social permitir que a ideologia tente reescrever a História, e não, Jesus Cristo era Judeu, não poderia nunca ser palestino pois a Palestina não existia nem tinha existido, na altura, Jesus Cristo nasce na Judeia o seu rei era Herodes, que era um rei que prestava vassalagem aos romanos, Jesus Cristo nasce Judeu e morre Judeu, Pôncio Pilatos mandou escrever na cruz onde Jesus foi crucificado “Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum” INRI.
A realidade está a ser paulatinamente sequestrada pela ideologia, com o objectivo de reformular o tecido social, tornando o povo mais néscio, distraído, impreparado, irado e claro controlado, se quisermos uma versão moderna de “Panem et Circenses” do imperador César Augusto, mas mais perigosa, pois vem com intuito de divisão, de criar conflito e confronto (nada mobiliza mais as pessoas do que um inimigo comum). O diálogo deixa de ser a via, mas sim o protesto e manifestação são o veículo, as ideias diversas (que tem todo o direito de existir, desde crenças, a conceções de modelo social) passam a ser doutrinas e como tal de imposição forçada.
A verdade é marcadamente ideológica e como tal volúvel, mas a realidade não o é, por isso a imposição de verdades é uma ingerência inaceitável no processo de liberdade de pensamento.
É forçoso refundar a sociedade, com uma base sólida de valores, fazendo do respeito e tolerância a bitola, e observando sempre o Bem, o Caminho do Bem é o único caminho possível.