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Artigo de Opinião

23/10/2023 08:00

Em abril, tivemos um desfile de Ferraris pela nossa região. Esta semana foram os Aston Martin que deliciaram os olhos de muitos dos amantes dos automóveis. Chegou-se a montar um estacionamento na praça do município para que todos vissem o que esses ricos podem comprar.

Também, quem passa pela Estrada Monumental pode vislumbrar os novos empreendimentos a crescerem como cogumelos, com apartamentos que chegam aos 3 milhões de euros. Valores adequados para a região mais rica das periferias!

E assim distraem-se os madeirenses, esquecendo-se por momentos qual o seu real nível de vida.

Só que mais de 30% da nossa população é pobre, contrariando assim esses dados da nossa região ser a mais rica das RUP. Para percebemos esta suposta contradição, temos de falar sobre um indicador muito importante, que é o índice de Gini. Um indicador que mede a disparidade de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres. Ou seja, a riqueza está concentrada em meia dúzia de privilegiados, que ao longo destes 47 anos de poder PSD tiveram oportunidades que não estavam disponíveis à grande maioria dos outros.

Vivemos numa região muito desigual, onde a classe média começa a ter verdadeiras dificuldades em chegar ao fim do mês com dinheiro suficiente para colocar comida na mesa. Numa região onde só esses privilegiados conseguem comprar casa e ter acesso a saúde digna, no privado, pois o serviço regional de saúde há muito tempo que se encontra ligado às máquinas. Vivemos numa região onde o Presidente do Governo está mais preocupado com criptomoedas do que com o bem-estar dos madeirenses, como se isso fosse algo de importante ao comum dos cidadãos, como se isso oferecesse alguma garantia de um futuro melhor para a sua população.

Entretanto, nas recentes eleições, apesar dos madeirenses não terem escolhidos continuar com as mesmas políticas dos últimos 47 anos do PSD e ter sido preciso a bengala do CDS e o andarilho do PAN, o presidente do PSD-M apresentou um novo governo. Na verdade, um governo que de novo pouco ou nada tem, diminuiu duas secretarias, passa essas áreas para outras, mas a estrutura governamental e o número de pessoas envolvidas pouco se alteram, percebendo, assim, que nada de novo poderemos esperar, além do mofo das políticas a que já nos habituaram.

Na segunda região mais pobre do país (mas a mais rica das RUP), mudam a secretária da inclusão, mas mantêm todos os restantes atores de uma área tão fundamental para a população. Um setor que, claramente, teria de ser revisto, com novas políticas que permitissem aos mais vulneráveis terem acesso a novas oportunidades. Oportunidades que os retirassem do fim da cadeia social.

Na agricultura, agora juntamente com o ambiente, também mudaram o secretário pela até agora administradora do Sesaram, que até nos lençóis do hospital teria poupado. O que poderemos esperar dessa senhora na agricultura? Que comecem a faltar sacas para as semilhas ou sacos para as bananas?

Por fim, uma evidência desta semana transata, ficou claro que Miguel Albuquerque já pouco manda no governo. Calado foi chamado a negociar o acordo com o PAN, Calado anuncia o novo administrador do Sesaram. Fica uma dúvida no ar, terá sido ele a desconvidar o anterior Secretário Regional da Agricultura 48h após ter sido convidado pela pessoa que faz o papel de presidente?

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