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Artigo de Opinião

Psiquiatra

27/07/2022 08:01

Quando nos referimos a depressão em linguagem corrente, na verdade estamos a referirmo-nos à Perturbação Depressiva Major. Assim, a "depressão" não é um estado, é uma doença.

Os mitos pendentes sobre a depressão são:

- Falar sobre o que se sente, da depressão ou de pensamentos suicidas, aumenta a probabilidade de se cometer o suicídio

- Quem trabalha não tem depressão

- A medicação só serve para quem tem pensamentos suicidas

- São os problemas da vida que causam a depressão

- É fácil de perceber quando alguém tem uma depressão

- Só existe um tipo de depressão

- Ansiedade e depressão são a mesma doença

- A depressão pode curar-se de um dia para o outro

- A medicação faz efeito rápido

- Posso parar a medicação logo que me sinta bem

- Todos os que tomam medicação, conseguimos perceber quem são. Estão drogados ou babados.

O primeiro passo de cada pessoa é reconhecer que não está bem. A conversa com pessoas de confiança é muitas vezes importante para começarmos a procurar ajuda. Com ou sem pessoas de confiança, se não estamos bem, temos de procurar ajuda com profissionais de saúde. Quando se procura ajuda, temos de ser o mais honesto possível no que sentimos e permitir a quem está do outro lado saber o mais importante, para poder dar a ajuda adequada. Falar dos pensamentos suicidas é fundamental para clarificar o que se passa com a pessoa e poder receber ajuda. Todos os estudos mostram o quão importante isto é. A maior parte das pessoas tem vergonha quando tem estes pensamentos e faz parte da avaliação do profissional de saúde questionar a existência destes pensamentos. E não, falar sobre eles não aumenta a probabilidade de a pessoa cometer o ato. Desde que a pessoa seja tratada com respeito, ouvida e ajudada. Pelo contrário, um ambiente crítico pode agravar a situação. O ambiente tem mais influência do que a pergunta em si.

Muitas pessoas que têm uma depressão, conseguem manter o seu trabalho. Fazem-no com um custo elevado para a sua saúde, mas mantêm-se a trabalhar. Quando procuram ajuda, conseguem progressivamente melhorar e conseguem muitas das vezes evitar a "baixa" - incapacidade temporária para o trabalho. Ao contrário do que algumas pessoas sustentam, ficar de baixa mais do que 1-3 meses é pior para a pessoa. Raros são os casos em que por uma depressão existe benefício para a pessoa manter-se de baixa para além deste tempo.

A medicação é eficaz para a depressão moderada a grave. Nesse sentido, existe uma grande maioria de casos em que a medicação é eficaz. Existem ajudas para os estados ligeiros em que a medicação não é tão eficaz. Mas se não for tratada de alguma forma, a tendência é o agravamento dos sintomas e passar de ligeira, a moderada/grave.

Infelizmente muitas pessoas têm episódios depressivos associados a problemas familiares e laborais. Cerca de 30% da população vai ter pelo menos um episódio depressivo ao longo da vida e infelizmente muitos são relacionados com os acontecimentos da vida diária. Apesar de ser um tema mais falado, a cultura atual de trabalho cria muitos problemas de saúde mental.

Existe, no entanto, algumas pessoas que têm o que se chama de depressão biológica ou endógena. Um tipo particular de depressão que não está relacionado com os acontecimentos da vida da pessoa, mas o seu cérebro, muitas vezes por razões desconhecidas, desenvolve uma depressão. De igual forma, algumas pessoas que têm depressão, na verdade têm o que se chama de depressão bipolar. Um episódio depressivo dentro de uma doença bipolar. Alguns estudos mostram que as pessoas com este tipo de depressão demoram cerca de 8 anos até terem o diagnóstico correto. Tal diagnóstico é fundamental porque o tratamento envolve medicação diferente, os chamados estabilizadores de humor e não apenas antidepressivos.

Na presença dos sintomas graves de depressão, deve procurar ajuda profissional. Não adie e não deixe o seu familiar adiar. O tratamento adequado salva inúmeras vidas.

Para a semana, continuamos com os mitos que ficaram pendentes.

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