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Artigo de Opinião

18/06/2026 07:30

Junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+, um tempo de memória, luta, orgulho e liberdade. Um mês que nos recorda o caminho percorrido para que cada pessoa possa ser quem é, sem medo e sem vergonha.

As letras da sigla LGBTQIA+ e as cores do arco-íris representam pessoas, identidades e sentimentos que, durante séculos, foram vistos como “estranhos”, errados ou até doentios. Hoje, têm nome, visibilidade e reconhecimento.

Porque, na verdade, ninguém controla por quem se apaixona, com que género se identifica ou se o género com que nasceu corresponde àquele que sente ser.

E todas essas pessoas vivem histórias de amor. Primeiro, uma história de amor consigo próprias, ao assumirem quem são. Depois, histórias de amor com os outros.

Há 23 anos, numa viagem que fiz, cruzei-me com uma figura pública portuguesa que viajava sozinha. Tinha viajado numa tentativa de superar um recente desgosto amoroso. Na altura, ainda não tinha assumido publicamente a sua homossexualidade. Viu em mim alguma empatia e acabou por partilhar a sua dor, entre lágrimas discretas, porque aquele amor ainda não podia ser contado ao mundo.

Era um desgosto amoroso igual a todos os outros, exceto por um detalhe: não podia falar da pessoa que tinha perdido. Não podia falar dele à maioria das pessoas, porque a maioria nem sequer sabia que essa relação existia. Era um sofrimento profundo, incontrolável e, ao mesmo tempo, escondido.

Hoje, essa pessoa já assumiu a sua homossexualidade, mas ainda demoraram alguns anos até que isso acontecesse.

Todos nós amamos. Todos nós nos apaixonamos. Cada um à sua maneira e por quem o coração escolhe.

O psiquiatra e terapeuta familiar e conjugal Daniel Sampaio escreveu o livro Um Amor Que Não Se Diz. Segundo o autor: “Fui sempre relativamente cuidadoso com essas pessoas e escrevo este livro para explicar que, do ponto de vista biológico e psicológico, um amor entre dois homens, duas mulheres ou entre um homem e uma mulher é exatamente igual.”

Acrescenta ainda: “Porque ainda há pessoas que pensam que o cérebro é diferente, que as hormonas são diferentes. E sabe-se que o cérebro homossexual apaixonado é exatamente igual ao cérebro heterossexual apaixonado.”

Daniel Sampaio escreveu este livro numa altura em que foi aprovado um decreto que pretendia proibir bandeiras consideradas ideológicas em edifícios públicos. Felizmente, esse diploma foi vetado pelo Presidente da República.

Recentemente, vi a série Heated Rivalry, baseada na obra de Rachel Reid. Trata-se de uma história fictícia, embora a autora tenha recorrido a alguns elementos inspirados em situações reais para construir a narrativa e as personagens.

A série tornou-se um enorme sucesso ao retratar a paixão intensa entre dois jogadores de hóquei. Dois homens que se apaixonam perdidamente. As suas cenas mais íntimas e ousadas — perfeitamente comuns em filmes centrados em relações heterossexuais — geraram grande discussão nas redes sociais e até alguma polémica na Rússia, onde houve tentativas de limitar o acesso ao conteúdo.

Nos dias de hoje, continua a haver quem queira proibir ou censurar histórias que falam apenas de amor. Tal como aquele homem que conheci há 23 anos e que sofria em silêncio por alguém que amava. Isso deveria preocupar-nos.

Esta série é especial precisamente porque transmite aquilo que Daniel Sampaio explica tão bem no seu livro: sentir e amar é igual para todos.

No fim de contas, é apenas uma bonita história de amor.

“A minha prática diz-me que as pessoas muito homofóbicas têm, às vezes, problemas com a sua própria homossexualidade.” Daniel Sampaio

“Não existe uma psicopatologia própria das pessoas LGBTQIA+. O que existe é uma vulnerabilidade acrescida resultante do estigma, da discriminação e da rejeição social.” André Marques

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