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Artigo de Opinião

2/12/2025 08:00

Escrevo-vos, esta semana, de fora da ilha, um semi-deslocado, como cantam os NAPA. Não fui forçado a sair, foi de maneira voluntariosa.

Quando assim é, as noções são diferentes. O sentimento de saudade não é tão abrangente e é simplesmente um complemento quando regresso.

Estas saídas voluntariosas servem para um desligar do mundo, neste caso da região e da minha realidade, um retiro espiritual, se quisermos chamar dessa maneira.

Entro em modo de ignorante, as notícias são desligadas, os comentários sobre as mesmas também e por breves instantes fico isolado da região e, em certo modo, do país também. Não sei das últimas polémicas, dos casos ou das casinhas, do absurdo e do surrealismo que abrange quer nação, quer região. Não sei também de nada do que se passa no sítio onde me encontro, só dos horários de comboios, transportes, check-in e check-out.

Tento saber os restaurantes, bares e locais de interesse para visitá-los e dou por mim mais preocupado com o isso do que com o que se passa em qualquer lado do planeta.

As prioridades parecem trocadas, mas nestes breves momentos, porque são sempre breves, o sentido das mesmas desvanece e já nada parece importar.

Há momentos de pura descontração, de relaxamento que não é permitido quando estamos cercados por um oceano, no sítio em que vivo e que, por vezes, atormenta em demasia, como que com um fardo que ocupa o dia a dia, a rotina diária, o acordar, trabalhar, sair a pensar do trabalho, lidar com a família, as obrigações sociais, adormecer e repetir. Por estes momentos isso tudo fica esquecido.

Talvez por isso o regresso seja sempre violento. Como se entrasse num ringue de boxe sem preparação e proteção alguma, um animal a caminho do matadouro, a chacina de um filme de ação dos anos 80, uma direita que não estava à espera, seguida de um gancho de esquerda, com a destreza de um Tyson, cercado por um Ali e sem saída possível. O duro regresso à realidade, de uma ilha, de uma vida, que fugi por breves instantes e que durante essa fugida acreditava que ia melhorar.

A ilusão é criada por essa saída, pelo desligar da realidade e a ausência de contato com a ilha, faz sempre com que acredite que num curto espaço de tempo tudo melhore.

Mas a ilha não muda, as pessoas não mudam, mudo eu por breves instantes por um lapso momentâneo de alienação.

OPINIÃO EM DESTAQUE
Investigador na área da Educação
2/02/2026 07:40

A adesão de Portugal à então CEE em 1.1.1986 é considerada um marco histórico, que transformou o país nos últimos 40 anos celebrados em 2026.

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