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Artigo de Opinião

10/04/2021 08:02

A pandemia Covid-19 agravou de forma exponencial as necessidades económicas de muitas famílias tendo sido necessário criar novas formas e programas de apoio. Nada mais justo e premente. No entanto, umas vozes socialistas que sempre criticaram a atuação de certas entidades, cujo nome não digo, mas que começa com Casa e termina em Povo, viram-se impelidas a mimetizar os apoios que tanto desprezavam. Na Câmara do Funchal nasce então o Cabaz Vital, que fornece alimentos a pessoas em dificuldades económicas, que a 18 de fevereiro deste ano, foi noticiado como um investimento municipal que já teria ultrapassado os 100 mil euros e abrangido 18 mil pessoas. O insólito aconteceu a 02 de março, em notícia de página inteira do Diário de Notícias Madeira. O tal apoio Cabaz Vital é novamente apresentado, duas semanas depois, como um apoio alimentar a 20 mil pessoas e um custo de 70 mil euros. Ora, em 15 dias, chegam a mais 2 mil pessoas e reduzem em mais de 30 mil euros o que tinham gasto com os tais cabazes. Terá sido certamente um Black Friday alimentar no Mercado da Penteada em que os comerciantes pagaram para fornecer os alimentos. O leitor perguntar-se-á se o meu ceticismo não me permite acreditar em milagres. Claro que acredito. Os milagres da multiplicação são sobejamente conhecidos e até bíblicos, agora a multiplicação de apoios com subtração de gastos é nova para mim.


Fica na Cidade… dentro de casa

Decorria o ano de 2015 quando nasceu na cidade um festival de música urbana, com vários palcos espalhados pela cidade, que prometia dinamizar a cidade, animar a baixa funchalense e fazer as pessoas ficarem na cidade após a saída do trabalho. Outro grande objetivo deste festival era a dinamização do comércio local, através da deslocação em massa dos munícipes aos locais dos concertos. Fui crítica deste festival por várias razões mas reconheço que o mesmo foi crescendo aos poucos, galvanizado pela oferta diferente e eclética dos nomes trazidos ao festival. No entanto, se em 2019, o festival que prometia música urbana, foi completamente despedaçado, pelo cabeça de cartaz da altura (só de me lembrar ainda tenho arrepios), fazer um Fica na Cidade, online, para os funchalenses ficarem fechados dentro das suas casas, não será menos disparatado! Adiar o festival para depois do Verão, ou mesmo para o ano seguinte, e com os artistas contratados dinamizar concertos online, sim, mas sem a marca Fica na Cidade. Fica na Cidade é literalmente ficar nas ruas da cidade e usufruir de tudo o que o Funchal tem de bom, com boa música (vou tentar esquecer 2019) e na companhia dos nossos amigos, não isto que nos trazem este ano.


A Conversa Amiga que azedou

Em 2017 foi-nos apresentado o "state of the art" em termos de políticas de apoio às pessoas em situação de sem-abrigo. Os cacifos inovadores floresceram e murcharam com a mesma eficácia com que ajudaram a causa. Dos cacifos passou-se para as caixas de correio solidário, outra aposta original, novidade a nível nacional, com o mesmo resultado da anterior. Como se já não fosse inusitado o suficiente, no início de 2020 a Câmara Municipal do Funchal gastou 61 mil euros de dinheiro municipal numa habitação particular para segundos arrendarem, novamente com dinheiro municipal, e terceiros usarem. Entretanto a amizade acabou com troca de galhardetes de má gestão e incompetência, e o consequente corte da torneira financeira. A cereja no topo do bolo? Os 60 dias dados sem dó nem piedade, nem tão pouco uma Conversa Amiga, para desampararem a loja.

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