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Artigo de Opinião

Subdiretor JM

24/02/2024 08:05

Por estes dias, a palavra gestão irrita muito boa gente. E compreende-se... porque não há quem resista aos problemas inerentes ao período de gerência a que estamos votados.

Gestão deveria significar planeamento e organização. E assim é em quase todas as situações. Mas, entre as exceções, pontifica o setor político, que parece estar assente em pressupostos que não acompanham a urgência da vida real.

Os setores privado e público raramente coincidem, na verdade, encontrando-se apenas na área da contratação, em que os serviços externos funcionam como uma obrigação para assegurar o necessário desenvolvimento. Por exemplo, o privado não pode depender de duodécimos sob pena de perder terreno para a concorrência. Não pode esperar que um dos seus parceiros essenciais, o Governo Regional, fique meio ano proibido de programar novos projetos. Ou melhor, não podia! Porque terá de o fazer.

De facto, a gestão governativa a que estamos votados por força da demissão de Miguel Albuquerque originou uma espécie de purgação. Quase todos deixaram a coisa pública em autogestão, porque o momento impede a implementação de novas propostas. Péssima notícia para os empreendedores, que poderia ser atenuada se a tal gestão não fosse encarada como uma libertação de responsabilidades.

Gestão não significa inação. Nem expurgação de deveres por parte de governantes ou diretores de departamentos públicos. E se é verdade que vivemos num período de dificuldades acrescidas, também não se vislumbra grande tenacidade para inverter um quadro em que o Executivo regional apenas pode gastar por mês 1/12 do orçamento do ano anterior.

O que ouvimos e vemos, uma e outra vez, é que todos estão impedidos de fazer isto ou aquilo, por causa disto ou daqueloutro. Os condicionalismos, sublinhe-se, não são mentira nenhuma. Só que mais do que dizer o óbvio, impõe-se aos gestores públicos a tentativa de procurar caminhos que vão ao encontro das dificuldades do tecido económico. Senão, a somar à convulsão política, teremos em breve – se é que já não chegou – uma contração económica que pode afetar milhares de famílias, as mesmas, refira-se, que já se queixam dos malefícios da inflação descontrolada que vivemos.

Em gestão está igualmente o Parlamento madeirense. Que soma férias e períodos de descanso. E mesmo quando reúne, tem muito pouco para dizer e ainda menos para fazer. Os dias são passados a acusar uns e outros de más práticas. E, mais recentemente, a acompanhar as legislativas. O tempo é perdido na identificação de problemas e não sobram quase minutos nenhuns para apresentar soluções.

Hoje, mais do que nunca, exige-se comprometimento à classe política. Esteja no poder ou na oposição. Para que tenham a clarividência de perceber que nestas eleições não está em causa somente convencer o eleitorado a votar neste ou naquele partido. É necessário persuadi-los a votar.

Numa fase em que o novo normal é a queda de Governos em todo o País, a consequência pode ser o afastamento de boa parte da população das urnas. Era importante que tal não acontecesse. Que os portugueses percebessem o que está em jogo. Que sejam eles – pelo menos a maioria – a escolherem o caminho a seguir. Porque não votar também implica perder o direito a se queixar depois.

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