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Artigo de Opinião

Gestora de Projetos Comunitários

16/01/2021 08:00

Quem nunca ouviu alguém reclamar que a política, as leis, o Estado de Direito, são coisas que 'não lhes interessa', que 'dizem respeito aos políticos'; que os políticos são todos corruptos, ladrões e outros adjetivos menos agradáveis.

São tempos difíceis, estes. Incertos. O medo gera revolta, incompreensão, e o caos está à porta se não tivermos cuidado.

Nenhum ser humano vive fora de uma sociedade. Onde quer que existamos, há um Estado, que tanto pode ser uma democracia, como pode ser uma ditadura. Mas existe. Onde quer que vivamos, existem leis, existem regras para se viver em sociedade.

Onde quer que estejamos, fazemos parte de uma comunidade onde todos os membros são, em parte, responsáveis. Somos sempre cidadãos, seja de uma pequena freguesia, de uma pequena cidade, de uma região, de um país, somos sempre cidadãos. E as nossas escolhas, enquanto cidadãos, em relação à comunidade, em relação ao outro, também são, em parte, políticas. No fundo, todos temos um pouco de 'políticos'.

Aristóteles defendia que o nosso comportamento, as nossas escolhas, as nossas ambições fazem parte da comunidade onde nascemos e crescemos - somos animais políticos, escreveu, i.é., somos condicionados e moldados pela comunidade à qual pertencemos enquanto cidadãos e, numa relação recíproca, modelamos a nossa sociedade.

Importa, portanto, olhar de forma diferente para os assuntos que são tão próximos de nós, a ponto de já não sermos capazes de os ver. Há um fenómeno a desenvolver-se na Europa: cada vez, mais de nós sentem-se menos parte do Estado, porquanto, menos responsáveis nas suas ações. Fica a sensação de que quanto menos conscientes estiverem dos seus direitos, mais lhes pesam os deveres, que descuram. Então, se não formos capazes de imaginar uma sociedade melhor, seremos capazes de contribuir para um mundo melhor? Decididamente, não.

Nenhum ser humano é autossuficiente: toda a gente precisa de ajuda. Os filhos precisam dos pais, os pais precisam dos filhos, todos precisamos dos nossos bons amigos, sempre. Em suma, somos uma comunidade em que temos o dever de nos ajudamos reciprocamente, uma comunidade que se funda numa necessidade natural de apoio recíproco. Somos, portanto, seres sociais por natureza, que nada fazemos sozinhos, mas, em sociedade, muito poderemos alcançar. É assim que funciona.

Infelizmente, aquilo que temos vindo a presenciar, em plena pandemia, é aquilo que a democracia permite. É complicada, a democracia. Tão complicada quanto necessária.

Nunca como agora vemos quem sinta necessidade de vincar o seu direito à liberdade, ainda mais em tempo de confinamento obrigatório, mas manda o bom senso e a decência que, em tempos extraordinários, sejamos responsáveis uns pelos outros. Se calhar deveríamos todos considerar Pitágoras quando fizermos escolhas - Caminha com o pé direito para os teus deveres e com o pé esquerdo para os teus prazeres. Lembre-se
sempre disso.

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