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Artigo de Opinião

14/11/2023 08:00

Como eurodeputada e relatora principal da posição, mas também como médica em saúde pública, este desafio assumiu uma enorme responsabilidade. Na passada terça-feira, o resultado esteve à vista com uma aprovação por larga maioria do relatório em Comissão ENVI (Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar). O próximo passo será a votação em plenário, em dezembro, por todos os eurodeputados.

Na União Europeia, mais de 150 milhões de pessoas vivem com problemas de saúde mental e mais de 50% das pessoas nunca são diagnosticadas ou têm acesso a tratamento atempado e adequado. Na Madeira, só em 2021, 30 pessoas cometeram suicídio, e, desde 2019, que este número tem aumentado. Todos estes casos poderiam ter sido evitados.

A saúde mental deve ser uma prioridade para todos e uma prioridade na agenda europeia.

Os problemas de saúde mental, pelo estigma ainda associado, levam muitas vezes à pouca procura por ajuda e à dificuldade em falar sobre os problemas com outras pessoas, seja com familiares, amigos ou especialistas. Embora com tímidos avanços, e apesar de se verificar uma maior procura por consultas de prevenção, ainda há muito a fazer no que diz respeito à destigmatização e à literacia em saúde mental. A nível europeu, enquanto estratégia para reduzir e combater o estigma, defendemos o envolvimento das comunidades, figuras públicas, políticos, instituições públicas, governos e indivíduos sem preconceitos. Acreditamos que a inclusão de pessoas com experiência vivida é crucial e instamos os Estados-Membros a incluir e a integrar estas pessoas em todas as fases da elaboração de políticas.

A sociedade como um todo deve compreender que as pessoas com problemas de saúde mental e deficiências psicossociais têm o direito de levar uma vida plena. Isto inclui o local de trabalho, onde passamos a maior parte do nosso tempo. Um estudo levado a cabo pelo Laboratório Português dos Ambientes de Trabalho Saudáveis analisou cerca de 2.000 trabalhadores de diferentes setores de atividade e concluiu que 80% apresentavam pelo menos um sintoma de ‘burnout’. É por isso que instamos a Comissão Europeia a adotar guidelines para o reconhecimento da depressão, ansiedade, burnout, enquanto doenças ocupacionais, quando resultam do ambiente do trabalho, e que os Estados Membros utilizem instrumentos dedicados para identificar e resolver as necessidades psicológicas dos trabalhadores, através da medicina ocupacional.

Sendo este o primeiro relatório sobre saúde mental do Parlamento Europeu, fomos ambiciosos. Queremos deixar um legado equivalente à importância que deve ser dada à saúde mental no futuro. Queremos um ano Europeu da Saúde Mental e uma Estratégia para a Saúde Mental com potencial para ir além da partilha de boas práticas. Exigimos uma Missão de Saúde Mental e financiamento direto para intervenções e resoluções focadas nos problemas de saúde mental.

As expectativas são elevadas, mas para construir uma União Europeia da Saúde, e só serão concretizadas quando a saúde mental for efetivamente integrada.

Se precisar ou conhecer alguém que precise de ajuda, contacte o Serviço de Aconselhamento Psicológico do SNS 24 (808 24 24 24), a Linha SOS Voz Amiga (213 544 545; 912 802 669; 963 524 660), Telefone da Amizade (22 832 35 35), Voz de Apoio (225 506 070) e Vozes Amigas de Esperança de Portugal (222 030 707). É ok não estar ok.

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