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Artigo de Opinião

Psiquiatra

19/10/2022 08:00

Tantas são as dimensões do silêncio. Silêncio é uma forma profunda de respeito pelo outro. Quando alguém fala, se não estivermos em silêncio a ouvir, estamos a passar por cima da pessoa, a desrespeitar. O silêncio também pode ser utilizado como uma arma, na forma passivo-agressiva. Hoje reflito apenas na necessidade de termos mais silêncio na nossa vida. Diferentes tipos de silêncio, mas essencialmente silêncio.

A vida atual é uma vida com muito barulho. Mas também com muito "barulho das luzes", da tecnologia, eventos, redes, ... Estamos num momento em que a humanidade nunca produziu tantas imagens, escritos, mensagens, expressões, ... Com a tecnologia atual, com as redes sociais nas suas diversas formas, nunca houve tanta criação de informação, na sua forma original ou adaptada de outras fontes.

No meio de tanta produção, estamos a secar as nossas inspirações, a secar a nossa criatividade individual e a secar os criativos. Seria de pensar que com cada vez mais formas de criar, ela não teria fim. Apesar de não haver fim coletivo, há fim individual, e temos muitos criativos a enfrentar problemas de saúde mental e exaustão profissional / burnout, por ser exigida uma criatividade fabril e não espontânea, produzida e criada com tempo. Estamos tão intensamente dedicados à criação de material, que até construímos algoritmos de inteligência artificial para criarem novas formas de arte, a delegar a criatividade aos chips. E para onde vamos? Para um mundo em que os humanos não serão necessários, nem para algo que pensávamos ser uma exclusividade, a originalidade da ideia criativa. Criamos atualmente um mundo em que deixamos cada vez mais de ser necessários nele e que infelizmente, com a poluição diária gerada por todos nós, é inevitável o dia em que seremos considerados indesejáveis pelo planeta.

Com este rumo desenfreado, muitos de nós começamos a desistir de viver nele e procuramos alternativas. Os mais radicais mudam-se para comunidades na natureza, sem tecnologia. Muitos outros ligam-se à espiritualidade, como forma de tocar o intemporal. Mas independentemente do que fazemos, a grande maioria vira-se para a meditação. Quer gostem do nome meditação ou mindfulness - atenção plena, a verdade é que de diferentes formas, a meditação está cada vez mais presente como resposta ao barulho do mundo.

A meditação tem ganho cada vez mais um lugar de destaque, porque na estabilidade e desenvolvimento das nossas capacidades mentais, tem o lugar central. Se o exercício físico estimula primariamente os músculos e tem como efeito secundário melhorar a saúde mental, a meditação atua primariamente no cérebro e transforma-o diretamente. Existem muitos tipos diferentes de meditação, com alguns a serem os ideais para as pessoas começarem a treinar esta ferramenta. Mas a meditação também pode ter efeitos secundários e não deve ser forçada a todas as pessoas. Poucos são os que conhecem e sabem lidar com os efeitos secundários das meditações. Se temos uma ferramenta que é capaz de efeitos maravilhosos, com diversos estudos a mostrarem como melhoram a nossa vida e o nosso cérebro, era esperado que não pudessem existir efeitos secundários? Ou má utilização?

Acredito sinceramente que é através da meditação que conseguimos aprender a lidar com o ruído da vida moderna, com o barulho dos nossos pensamentos e aprender a sossegá-los. Aprendemos assim a criar o silêncio dentro de nós e é no silêncio que a paz interior nasce.

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