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Artigo de Opinião

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19/06/2024 08:00

No fim de 2022, escrevi um artigo sobre um país insular que se chama Tuvalu, que, acredita-se, será o primeiro país do Mundo a desaparecer por causa das alterações climáticas, o que torna a vida e até a sobrevivência cada vez mais difícil para os seus 11 mil habitantes sobreviver.

Na COP28 que se realizou, voltaram a manifestar a necessidade de ajuda e da descarbonização do Mundo, mas o destino quase fatal desta nação parece já traçado.

Dessa forma, em outubro passado, o país alterou a sua constituição e basicamente poderá ter de existir só virtualmente, isto é, mesmo sem qualquer território.

Retirando as questões geopolíticas, o cerne da questão é que, para assegurar a segurança dos seus cidadãos, Tuvalu assinou um tratado com a Austrália que permite que 280 pessoas se mudem para a Austrália por ano, o que fará que seja preciso 40 anos para concluir esse êxodo. No entanto, o país não deverá existir tantos anos, e está assegurado que o Governo de Camberra terá de os ajudar em caso de desastre natural.

Tal como defendi nesse artigo de há quase 2 anos, reitero a necessidade de existir um plano cientificamente sustentado para a Madeira, terra historicamente atingida por aluviões, a última dos quais o «20 de fevereiro». E também para todas as regiões insulares deste mundo que estão mais suscetíveis às alterações climáticas. Por exemplo, teremos um Verão em abril, teremos um Inverno em agosto, entre outros fenómenos climáticos. Além de chuvadas intensas, risco de aluviões, devido à impermeabilização dos solos, e outros aspetos que nos deve preocupar a todos.

O que se pode fazer? Estive a ler os vários programas eleitorais às europeias, alguns ambiciosos, nomeadamente a nível de clima e as suas alterações, mas a verdade é que só a AD e o PS é que referiam a Madeira e os Açores nos seus manifestos e a IL referia as regiões ultraperiféricas, onde, naturalmente, atingem aquelas duas regiões portuguesas. Todos referem, contudo, de forma geral, a questão da coesão e o apoio ao desenvolvimento, incluindo os fundos de solidariedade. Esperar-se-á ainda no futuro nos programas eleitorais maior atenção às regiões insulares e às consequências climáticas, bem como com as zonas costeiras, que serão as mais afetadas. Li ainda o programa dos dois principais partidos espanhóis e os mesmos também carecem de aprofundar estas questões em relação às suas regiões ultraperiféricas.

Logo, cabe a quem nos representa na Europa talvez criar lobby atento a estas questões que releve o tema da importância de um apoio concreto preventivo em relação às alterações climáticas que nos afetam. A União Europeia terá de ter sensibilidade para um investimento em produtos de natureza climática, por exemplo converter a parte da nossa dívida pública em investimentos de natureza climática.

Começando pela Madeira, é urgente proteger-nos a nossa ilha, é urgente proteger todo o nosso Planeta, mesmo que seja no outro lado da Terra, onde há um país insular que está a desaparecer, Tuvalu. A solidariedade insular é necessária e é inteligente. Nós, também, somos insulares!

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