Operação policial teve como alvo um estabelecimento que os locais conhecem pela venda de droga e resultou em várias detenções. A freguesia do Caniçal acordou, este domingo, cercada por um forte contingente policial. Começou às primeiras horas da manhã de ontem uma rusga que resultou em várias detenções e que ocorreu na sequência de uma denúncia sobre consumo e tráfico de droga, tendo como alvo funcionários e proprietário de um bar situado na Rua de São Sebastião.
A fiscalização, que decorreu ao longo de toda a manhã, abrangeu várias habitações e viaturas, e terminou apenas no estabelecimento que, ao que o JM apurou junto dos moradores daquela artéria que assistiam a todo o aparato policial junto à entrada das suas moradias, está “há muitos anos na boca de todos” devido à venda de substâncias ilícitas. Com a Rua de São Sebastião encerrada durante mais de uma hora e invadida por vários carros de patrulha e uma carrinha da Polícia de Segurança Pública (PSP), e dezenas de agentes fardados, mas também descaraterizados, foi pouco antes das 13 horas que a detenção do proprietário do bar foi o culminar daquela operação que, apesar do pânico causado entre a população local, não foi surpreendente. “Coitados dos pais, que andam com os filhos em médicos, nos psicólogos, porque eles vão lá [ao bar] consumir e depois não conseguem largar a droga. Chegam a casa e fazem barulho, porque querem dinheiro. Se os pais não derem, eles rebentam com tudo”, dizia uma moradora que optou por não se identificar, após o proprietário do bar ter sido levado pelas autoridades. Em sobressalto, e reticente em falar para a reportagem do Jornal devido ao receio de sofrer possíveis represálias, assegurou que eram vários os indivíduos a concretizar a venda de substâncias em avulso no interior daquele espaço. Situação que foi também confirmada pelos vários transeuntes abordados pelo JM, que acreditam que “isto foi só o começo”. De acordo com testemunhas oculares, a fiscalização começou pelas 9 horas na casa de um homem que, sem confirmação oficial, se suspeita ser um funcionário do mesmo bar, naquela que terá sido a primeira detenção do dia. “São casos de anos e anos, que deixam andar e que mexem de vez em quando. Chega a uma altura em que não dá mais. Já se sabia que aquilo, mais dias menos dia, ia ter que acabar”, dizia um morador daquela rua, que, sem saber muito bem o que estava a acontecer, resolveu sair de casa para perceber o que se passava em conversa com os vizinhos, juntando-se assim aos muitos que saíram à rua para assistir de perto ao aparato policial. À ordem para desmobilizar, foi uma questão de segundos até que os populares regressassem ao interior das suas habitações. Na rua, agora vazia e silenciosa, restava apenas uma mulher que, a caminho de casa, já ansiava pelo regresso das autoridades àquela freguesia. Numa próxima vez, “deviam voltar durante a noite, que é quando eles fazem barulho e roubam as portas alheias. Nunca dormimos sossegados aqui”, lamentou.
Por Catarina Gouveia