MADEIRA Meteorologia

PS: Carneiro sem oposição interna assumida e com porta aberta ao diálogo com Governo

Data de publicação
29 Março 2026
17:42

O PS saiu do congresso de Viseu com a porta aberta ao diálogo com o Governo, embora com mais exigência, e sem oposição interna assumida ao seu secretário-geral reeleito, José Luís Carneiro.

A ameaça de rutura com o Governo, através de uma notícia do Expresso na sequência da possível exclusão dos socialistas da negociação da lista de três juízes do Tribunal Constitucional a eleger pelo parlamento, acabou por não se concretizar no 25.º Congresso Nacional de Viseu.

Logo na abertura, na sexta-feira, José Luís Carneiro prometeu “um rotundo não” ao Governo, caso este se vire para a extrema-direita em processos negociais como a eleição de juízes para o Tribunal Constitucional.

“Há linhas que não se negoceiam. A Constituição não se relativiza. A Democracia não se instrumentaliza. Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não”, advertiu, exigindo clarificação a Luís Montenegro quanto ao parceiro preferencial do executivo.

Carlos César, acabado de ser reeleito presidente do partido com quase 90% dos votos, pôs alguma água na fervura no sábado, defendo que o PS deve “querer ser parte das soluções”, apesar da “surdez e défice democrático” do Governo.

O próprio José Luís Carneiro retirou alguma pressão do momento político, ao afirmar que o PS se mantém a dialogar com o PSD na questão dos órgãos externos ao parlamento, sobretudo o Tribunal Constitucional, e pediu reserva sobre esta matéria.

A questão da eleição dos juízes para o Palácio Ratton foi abordada por destacados figuras socialistas, como o ex-presidente do parlamento Augusto Santos Silva, o eurodeputado Francisco Assis ou o ex-ministro Pedro Silva Pereira, que deixaram a ideia que o desfecho deste impasse pode mudar a relação entre os dois partidos.

A reforma das leis laborais, ainda em negociação na concertação social, foi outro dos temas do congresso, desde logo com a ex-ministra socialista Ana Mendes Godinho a pedir uma “luta intransigente” do PS contra a proposta do Governo para travar o regresso ao “século passado” em matéria de Trabalho.

Com os parceiros a assistir ao discurso de encerramento, o líder do PS não esqueceu o tema, que serviu, aliás, para o maior aviso ao Governo de Montenegro.

“Que fique claro: tal como foi, até agora, apresentada a proposta laboral merecerá a rejeição por parte do PS”, advertiu Carneiro, um dia depois de o Presidente da República e ex-líder do PS, António José Seguro, ter-se mostrado esperançado num “acordo equilibrado”.

Depois de Carneiro vencer as diretas de novo sem oposição, com 97,1% dos votos, foi de uma das moções setoriais que chegaram críticas à sua liderança, designadamente lamentos sobre um PS em cima do muro do ‘nim’ e numa posição indecisa e com pedidos para “sacudir a imagem de parceiro parlamentar do Governo”.

Miguel Costa Matos, o primeiro subscritor desta moção que tinha como número dois o dirigente Pedro Costa, defendeu no sábado que o PS é candidato a governar e não a parceiro do Governo e, um dia depois, apontou José Luís Carneiro como o primeiro-ministro que sairá das legislativas de 2029.

A ausência de uma oposição interna assumida ficou também patente no resultado para os órgãos do partido, com a lista única de Carneiro para a Comissão Nacional, liderada pela presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, a ser eleita com 88,9% dos votos.

A eleição para este órgão gerou o único momento de oposição clara durante todo o congresso, quando uma lista à Comissão Nacional do ex-deputado Ricardo Gonçalves acabou por ser rejeitada pela mesa, primeiro, e pelos delegados, depois, por só contar com sete nomes em vez dos necessários 251, o que motivou o anúncio de impugnação de todos os atos eleitorais do congresso.

A Comissão Nacional de José Luís Carneiro vai nas próximas reunir-se pela primeira vez e eleger a Comissão Política Nacional e o Secretariado, o que permitirá perceber o grau de renovação da nova liderança do PS.

Na primeira reunião magna da era Carneiro, com cerca de metade dos delegados em relação à última, o PS inovou com uma disposição diferente da sala, desta vez em hemiciclo, um espaço onde o entusiasmo ao longo dos dias não foi muito visível, com raras exceções como o discurso de encerramento e, no sábado, a intervenção da autarca Luísa Salgueiro.

OPINIÃO EM DESTAQUE

88.8 RJM Rádio Jornal da Madeira RÁDIO 88.8 RJM MADEIRA

Ligue-se às Redes RJM 88.8FM

Emissão Online

Em direto

Ouvir Agora
INQUÉRITO / SONDAGEM

Têm razão os enfermeiros em pedir escusa de responsabilidades?

Enviar Resultados

Mais Lidas

Últimas