O apelo para que os portugueses saiam de casa para votar nas eleições presidenciais de hoje, tem sido uma constante nas mensagens de candidatos e líderes partidários que já exerceram o seu direito de voto.
Até às 12:00 de hoje, a afluência às urnas para a eleição do próximo Presidente da República situava-se nos 21,18%, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, uma percentagem superior às anteriores eleições presidenciais, em que há mesma hora era de 17,07%.
O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, apelou a uma grande participação nestas presidenciais, sustentando que os portugueses não devem delegar “a possibilidade de escolherem o mais alto magistrado da nação”.
“Esta é uma decisão soberana dos portugueses que não devem delegar a possibilidade de escolherem o mais alto magistrado da nação, aquele que é no nosso sistema político um elemento-chave do equilíbrio dos poderes, da coesão social, nacional para enfrentarmos neste caso cinco anos que serão seguramente muito desafiantes”, disse Montenegro em Espinho, no distrito de Aveiro.
Já o ministro da Defesa e presidente do CDS-PP, Nuno Melo, que votou no Porto, classificou as eleições presidenciais de hoje como “muito importantes”, pois elegem “um alto representante da nação e, principalmente, aquele que deve ser o garante do bom funcionamento das instituições democráticas”.
Lançou um olhar para os desafios do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que terá, “desde logo do ponto de vista geopolítico, um mundo em mudança em ritmo muito acelerado, e tem, também por isso, de estar à altura das funções. Portugal precisa de estabilidade, para com estabilidade enfrentar todos esses desafios”, afirmou.
Também o candidato a Presidente da República Luís Marques Mendes disse estar “muito confiante” e apelou a uma “grande participação” dos eleitores nas eleições, num momento em que “a situação internacional é muito difícil”.
“Aquilo que eu desejo e o apelo que eu faria, era para uma grande participação nesta eleição. E, portanto, fazendo com que as pessoas vão votar e fazendo com que a abstenção possa baixar”, afirmou em Caxias, Oeiras, onde votou esta manhã.
Por sua vez, o candidato António José Seguro, que votou nas Caldas da Rainha, disse que o fez com “muita emoção e muita esperança”, acreditando no “bom senso dos portugueses” que não irão desperdiçar uma oportunidade para decidir o futuro do país.
“Eu hoje votei com muita emoção e votei com muita esperança no futuro de Portugal. É isso que neste momento está a acontecer. Cada portuguesa e cada português estão a decidir o futuro do nosso país. Eu acredito no bom senso dos portugueses”, disse aos jornalistas o candidato à Presidência da República apoiado pelo PS, que votou esta manhã, na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, acompanhado pela mulher.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, apelou a que “todos os que amam a democracia e a Constituição” vão votar e admitiu que a multiplicidade de candidatos pode levar à “dispersão de votos”.
“Todos aqueles que amam a democracia e que defendem a Constituição não podem ficar em casa. Têm mesmo de vir votar”, apelou José Luís Carneiro, após ter votado, ao início da tarde no Porto.
O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, considerou, depois de votar em Lisboa, que a campanha podia ter sido mais esclarecedora, mas apelou aos portugueses para que se mobilizem e aproveitem o “dia fantástico” para votar.
Interrogado sobre a campanha, Ventura considerou que “houve de facto falhas significativas em temas que interessam às pessoas”, afirmando que “uns mais do que outros não ajudaram a que conseguíssemos debater esses assuntos”.
Para o candidato Henrique Gouveia e Melo, as eleições de hoje “podem ser marcantes”, pelo que se mostra esperançado de que a abstenção seja pouco expressiva num dia que é “um hino à democracia”.
“Eu julgo que estas eleições podem ser marcantes e, portanto, estou convencido de que os portugueses vão exercer o seu voto e vão exercer a sua cidadania, que é o que é normal”, declarou após votar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa.
António Filipe, candidato apoiado pelo PCP, instou os portugueses a que honrem o direito de voto e participem em “grande número” nestas eleições.
“Que os portugueses participem, que honrem o seu direito de voto, o direito de voto que custou muito a conquistar aos portugueses, o exercício do direito de voto em liberdade, em consciência, por convicção e, portanto, espero que os portugueses participem em grande número e honrem este direito”, afirmou António Filipe, depois de votar num centro escolar, em Loures.
Catarina Martins, que votou no Porto a meio da manhã, apelou também à participação dos portugueses, agradeceu a quem está nas mesas de voto e lembrou Maria de Lurdes Pintassilgo.
“Queria começar por agradecer a todas as pessoas que, em todo o país, estão nas mesas de voto a permitir que este dia aconteça. A democracia é participada por toda a gente e tanta gente que dá este seu dia para que seja possível estarmos a votar”, disse Catarina Martins.
“Este é um dia muito importante. A primeira mulher que se candidatou à Presidência da República foi em 1986, Maria de Lurdes Pintassilgo, que faria hoje anos, aliás. É um dia em que a assinalamos”, declarou a candidata, apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE).
O coordenador do BE, José Manuel Pureza, manifestou, em Coimbra, o desejo de que muita gente vote e em plena consciência, considerando que a diversidade de posições contribuirá para que o nível de abstenção seja reduzido.
“Tenho dois desejos essenciais para este dia: o primeiro é que muita gente vote e, em segundo lugar, que toda a gente, todos os homens, todas as mulheres, votem em plena consciência. Se a democracia foi feita para podermos votar em quem nos representa, é votando em quem nos representa que melhor defendemos a democracia”, afirmou José Manuel Pureza.
No mesmo sentido do apelo ao voto foi a declaração de João Cotrim de Figueiredo, à saída da Escola Básica Marquesa de Alorna, em Lisboa, onde votou: “Venham votar, não desperdicem, não deixem os outros escolherem por vós.”
“Façam deste dia das eleições o dia da festa da democracia e mostrem que é possível mudar Portugal”, assinalou.
O antigo líder da IL espera que haja uma “grande queda da abstenção” e que a campanha eleitoral, “que nem sempre foi muito esclarecedora”, possa resultar num número de votantes “muito maior”.
Em Olhão, o candidato presidencial Humberto Correia, que fez campanha vestido como Dom Afonso Henriques, afirmou que o seu voto “é histórico”, para ele, para os seus antepassados e as futuras gerações.
“Este voto para mim é histórico. Para mim, para os meus antepassados e as minhas futuras gerações”, disse, justificando a afirmação com o facto de ser uma pessoa humilde, “do nada, da pobreza e conseguiu chegar até aqui”.
O candidato Jorge Pinto manifestou “muita tranquilidade, felicidade e consciência tranquila” ao votar esta manhã em Amarante, no distrito do Porto, e apelou aos portugueses para que votem “massivamente”, lembrando os desafios internos e externos atuais.
“Com tantos desafios internos e externos é importante que os portugueses votem, votem massivamente, votem em consciência. Da minha parte, muita tranquilidade, muita felicidade, sentimento de dever cumprido e de consciência tranquila por ter conseguido ou ter tentado elevar o debate, marcar a agenda com debates que interessam aos portugueses”, disse Jorge Pinto.
Por sua vez, o porta-voz do Livre, Rui Tavares, considerou “muito importante” que os portugueses votem para o Presidente da República, tendo em conta o contexto de “grande instabilidade internacional” e o “papel relevante” que desempenha o chefe de Estado.
“Estas são eleições muito importantes. São eleições que se passam num contexto de grande instabilidade internacional, como estamos a ver, pelas notícias de ontem e de hoje, da tensão entre Estados Unidos e União Europeia e o Presidente da República tem um papel muito relevante nessa matéria”, disse aos jornalistas Rui Tavares depois de ter votado no Liceu Gil Vicente, em Lisboa.
O candidato André Pestana considerou que o importante é a participação dos portugueses nestas eleições, independentemente das suas escolhas.
“Acho que é importante que os portugueses participem neste ato cívico, que é crucial, e peço, em particular, à juventude, aos trabalhadores, aos reformados que estão fartos de um país a duas velocidades”, afirmou André Pestana, em Coimbra, onde votou.
Questionado sobre se a campanha foi suficientemente mobilizadora, André Pestana disse que foi “desconsiderado e descriminado relativamente aos outros candidatos”, referindo os 28 debates realizados e inúmeras entrevistas.
Em Alhos Vedros, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, indicou que este é um dia importante e que espera que as pessoas participem e garantam a eleição de um candidato que cumpra a Constituição.
“Hoje é um dia importante, nós estamos a eleger o Presidente da República, que tem o dever constitucional de defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição, não é uma coisa qualquer”, disse Paulo Raimundo em declarações aos jornalistas depois de votar.
Por seu turno, a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, sublinhou a importância dos eleitores votarem hoje, independentemente de existir a possibilidade de uma segunda volta, lembrando o papel do Presidente da República na “estabilidade” do país.
“Independentemente de as pessoas saberem que existe a possibilidade de haver uma segunda volta, que não deixem de sair para ir votar, porque estamos a decidir aquilo que vão ser os próximos anos, de um papel, o mais alto papel da nação, que nos diz respeito a todos e a todas ao nível da nossa qualidade de vida”, disse a deputada única do PAN, que votou na Escola Básica de Telheiras, em Lisboa.
Nos Açores, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, desejou que haja uma “baixíssima abstenção” e manifestou-se convicto de que os portugueses farão a “melhor escolha”.
Bolieiro, que votou na freguesia da Fajã de Baixo, no concelho de Ponta Delgada, destacou que o novo Presidente da República vai confrontar-se como uma “situação de instabilidade internacional” e destacou a importância de, com outros atores políticos, se “contribuir para serenidade, para a paz e, sobretudo para uma responsabilidade democrática cívica e de liderança nas nações e do país”.
Já o chefe do executivo da Madeira, Miguel Albuquerque, aproveitou o momento para manifestar a sua esperança em que o futuro Presidente da República nomeie um representante para a região autónoma de origem madeirense, vincando ser este o “entendimento” da população do arquipélago.
“Hoje há do ponto de vista da população da Madeira um entendimento que a instituição de representante da República deve ser atribuída a um madeirense, como foi anteriormente, e correu muito bem, porque sendo uma pessoa de cá, conhece a realidade intrínseca e as particularidades e especificidades da região”, afirmou.
Ainda na Madeira, o líder do Juntos Pelo Povo (JPP), Élvio Sousa, apelou à participação nas eleições, vincando serem “eleições fundamentais no âmbito da democracia portuguesa”.
“A mensagem que eu gostaria de transmitir hoje, em nome do JPP, é que os portugueses exerçam esse direito para a eleição desse cargo relevante para a magistratura de influência em Portugal e, nesse sentido, apelar para esse exercício do voto de expressão popular”, afirmou.