Dois meses após um conjunto de depressões meteorológicas ter devastado várias zonas do continente, sobretudo Leiria, diversas empresas queixam-se de ainda não terem recebido qualquer apoio do Governo, que admite atrasos apenas nas ajudas à reconstrução de habitações.
A depressão Kristin, com ventos que chegaram a 200 quilómetros por hora e chuvas torrenciais na madrugada de 28 de janeiro, e depois as tempestades Leonardo e Marta causaram pelo menos 19 mortes e a destruição de casas, infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, equipamentos públicos essenciais, explorações agrícolas e empresas, além de deixarem muitas centenas de feridos e desalojados e populações isoladas, com a retirada preventiva de pessoas de zonas de cheias.
Os distritos mais afetados foram Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa.
O Governo respondeu com medidas excecionais e urgentes, que chegam a 3,5 mil milhões de euros (MME) para ajudas diretas, moratórias e linhas de crédito para a recuperação de famílias e empresas nos municípios mais afetados.
No entanto, empresários e candidatos a apoios para reconstrução de habitações têm-se queixado de atrasos na atribuição destas ajudas, salientando que não estão a chegar ao terreno.
O executivo admitiu atrasos na atribuição de apoios nos casos mais complexos de reconstrução de habitações, mas considerou que, quanto às empresas, “o processo está a decorrer manifestamente bem”.
Para acompanhar este processo foi nomeado como coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro o antigo autarca do Fundão Paulo Fernandes, que admitiu prejuízos entre os cinco mil milhões e os seis mil milhões de euros, e foi criado o PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, um programa para que o país possa recuperar economicamente das consequências do mau tempo, cuja versão final deverá ser aprovada em abril, com medidas executadas até 2035.