Os deputados do PS no Parlamento Europeu reafirmaram esta sexta-feira o seu compromisso com a defesa do POSEI (Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade), numa fase das negociações do próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP), que consideram crítica.
A atual base de negociação apresentada pela Comissão Europeia é pelos parlamentares considerada “insuficiente e perigosa”. A proposta do executivo comunitário visava, na prática, a diluição do POSEI, “colocando em risco a estabilidade económica das Regiões Ultraperiféricas (RUP), como os Açores e a Madeira”.
Para os eurodeputados socialistas, este programa “não é um subsídio”, mas sim um instrumento “essencial de compensação pelos custos estruturais permanentes que estas regiões enfrentam”.
“Não estamos a discutir um detalhe técnico, estamos a discutir uma escolha política sobre o tipo de Europa que queremos. Se aceitarmos a diluição do POSEI, estamos a dizer às Regiões Ultraperiféricas que podem ficar para trás. Isso não é aceitável”, afirmou André Franqueira Rodrigues.
Em resposta à proposta da Comissão, os socialistas avançaram, no início do mês de março, com uma contraproposta que prevê o aumento significativo do envelope financeiro, a atualização do programa face à inflação e aos novos desafios climáticos, e a blindagem das verbas para garantir que o apoio chega diretamente aos agricultores e produtores locais.
Do ponto de vista orçamental, os socialistas defendem que o próximo quadro financeiro “tem de refletir prioridades políticas claras e não pode resultar numa perda de instrumentos específicos”.
“O orçamento europeu não pode transformar-se num exercício de diluição de responsabilidades. Ou assumimos a coesão territorial como uma prioridade concreta, com instrumentos e financiamento próprios, ou estaremos a enfraquecer o próprio projeto europeu”, sublinhou Carla Tavares, co-relatora do Parlamento Europeu para o próximo Quadro Financeiro Plurianual.
Para as Regiões Ultraperiféricas, o impacto de uma eventual diluição do POSEI “seria direto e imediato na capacidade produtiva e no emprego”. “Quando se fala em reduzir ou diluir o POSEI, fala-se de retirar condições mínimas de equilíbrio a regiões que já enfrentam custos acrescidos permanentes. Defender este programa é garantir que estas regiões continuam a produzir, a criar emprego e a ter futuro dentro da União Europeia”, disse, por sua vez, o madeirense Sérgio Gonçalves.
Enquanto as negociações prosseguem, a delegação socialista afirma que irá mobilizar esforços junto dos restantes grupos políticos para garantir que o reforço do POSEI seja assegurado no acordo final, “protegendo a coesão territorial e a presença económica nas regiões mais afastadas da União”.
Os eurodeputados socialistas sublinham ainda que este processo “exige coerência política: não é aceitável que quem integra a mesma família política que suporta a proposta da Comissão, nomeadamente o Partido Popular Europeu, procure agora desresponsabilizar-se. Espera-se clareza e uma posição clara na defesa dos interesses nacionais”.