O Governo dos Açores reiterou hoje que as conversações com a operadora de baixo custo Ryanair “ainda estão abertas”, contrariando declarações proferidas hoje pelo CEO Michael O’Leary.
Fonte da secretaria regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas reitera à Lusa que “as conversações ainda estão abertas” e que, “para já, não há declarações até estarem concluídas”.
Mas Michael O´Leary declarou à Lusa que “não estão em curso quaisquer conversações com o Governo dos Açores”, apontando problemas estruturais.
“Em primeiro lugar, as taxas aeroportuárias na ilha são demasiado caras para o que é”, afirmou Michael O’Leary.
Nas suas declarações de hoje, o CEO da Ryanair só admite regressar com mudanças profundas: “Poderemos reabrir a qualquer momento no futuro? Sim, mas só quando os impostos ambientais forem abolidos [e] quando as taxas aeroportuárias nos Açores forem drasticamente reduzidas”.
Questionado sobre as críticas do Ministério das Infraestruturas na altura do anúncio da saída da Ryanair dos Açores, falando em “ultimatos” e “ameaças”, o CEO respondeu que “não se trata de um ultimato, de uma ameaça”.
“A Ryanair é uma companhia aérea. Temos meios móveis chamados aeronaves, e as aeronaves que colocámos nos Açores nos últimos dois anos vão ser transferidas no final de março”, afirma, para frisar que “não há conversações em curso” e que a base “será encerrada no final de março”.
Entretanto, hoje, em conferência de imprensa, o responsável alertou para o impacto da fiscalidade ambiental europeia nas ligações aéreas aos Açores, considerando que as rotas se tornaram economicamente inviáveis.
“Uma família de quatro pessoas a viver em Lisboa que queira ir passar um fim de semana aos Açores paga 96 euros em impostos ETS [Sistema de Comércio de Emissões de gases de efeito estufa da UE]”, disse, acrescentando que voos para destinos fora da União Europeia, como Marrocos, estão isentos.
“Pode simplesmente matar os Açores”, afirmou, defendendo a abolição da fiscalidade ambiental para regiões periféricas.
“Penso que os Açores só têm retorno se a fiscalidade ambiental for abolida, nomeadamente para as ilhas periféricas como os Açores, como a Madeira”, concluiu.
A Ryanair anunciou na terça-feira um lucro líquido provisório de 30 milhões de euros no terceiro trimestre fiscal de 2025, em comparação com os 149 milhões de euros no mesmo período do ano anterior.
De acordo com o relatório divulgado, a companhia reduziu temporariamente a projeção de lucros devido a uma provisão de 85 milhões de euros para cobrir uma multa imposta em Itália.
Excluindo a provisão referida, a Ryanair registou um resultado líquido de 115 milhões de euros no terceiro trimestre do ano fiscal - menos 22% do que no ano anterior.