As autoridades da Venezuela anunciaram hoje a libertação de um “número significativo” de presos, tanto venezuelanos como estrangeiros, num processo que já está a decorrer, afirmou o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez.
Trata-se de “um gesto unilateral para reforçar” a “decisão irredutível de consolidar a paz” no país e “a convivência pacífica”, sem distinção de ideologia ou religião, disse Jorge Rodríguez, numa conferência de imprensa em Caracas, sem precisar o número de pessoas que vão ser libertadas.
“Considere-se este gesto do governo bolivariano [da Venezuela], de ampla intenção de procura da paz, como uma contribuição que todos e todas devemos fazer para que a nossa República continue a sua vida pacífica e em busca da prosperidade”, acrescentou o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.
Jorge Rodríguez agradeceu ao ex-primeiro-ministro de Espanha Jose Luis Rodríguez Zapatero, ao Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao Governo do Qatar a colaboração neste processo.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, confirmou já, em declarações à televisão RTVE, em Madrid, que há espanhóis entre as pessoas libertadas pela Venezuela, mas sublinhou ser necessária “muita cautela” em relação ao anúncio feito pelas autoridades de Caracas.
A televisão pública de Espanha (RTVE) avançou que há seis espanhóis entre os libertados.
O anúncio das autoridades da Venezuela ocorre cinco dias depois da operação militar dos EUA no país da América Latina, que levou à captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da mulher, Cilia Flores.
A ‘número dois’ do Governo de Maduro, Delcy Rodriguez - irmã do atual presidente do parlamento - foi entretanto investida como nova Presidente da Venezuela.
Segundo o balanço mais recente da organização não-governamental (ONG) Foro Penal, há na Venezuela 863 presos políticos, incluindo 86 pessoas com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade.