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Quatro anos de estado de guerra entre Polisário e Marrocos sem avanços políticos

Data de publicação
14 Novembro 2024
17:42

Quatro anos após a Frente Polisário ter rompido o cessar-fogo com Marrocos, uma centena de sarauís morreu e milhares foram deslocados da “zona tampão” do Saara Ocidental face à pressão militar marroquina, sem terem conseguido apoio para a causa.

Com a entrada da futura administração de Donald Trump na Casa Branca (presidência dos Estados Unidos), a questão adensa-se, lembra hoje uma análise da agência noticiosa espanhola EFE, que faz um ponto da situação do diferendo a partir das capitais marroquina, Rabat, e argelina, Argel (a Argélia apoia a Polisário).

O futuro Presidente norte-americano já afirmou, há mais de quatro anos, que defende a soberania marroquina sobre o território, uma antiga colónia espanhola que foi anexada por Rabat na segunda metade da década de 1970 e que reclama independência, recorda a EFE.

Nos últimos quatro anos têm-se registado ataques esporádicos de ambos os lados, com escaladas contidas como a que ocorreu no passado sábado, quando um projétil da Polisário atingiu as imediações de um evento comemorativo da Marcha Verde, em que participavam responsáveis governamentais marroquinos, recordando o estado de guerra.

Em janeiro de 2023, durante o congresso trienal, a Frente Polisário, movimento de libertação sarauí, aprovou, como nova estratégia, “intensificar a luta armada” contra Marrocos na antiga colónia espanhola, 80% administrada por Rabat, exigindo, paralelamente, a realização do referendo de autodeterminação saído de uma resolução da ONU de 1991.

Mas, nos últimos quatro anos, Marrocos ganhou uma posição favorável por parte da Espanha e, em julho, garantiu o apoio direto da França para o plano de autonomia para o território.

Ao mesmo tempo, o enviado especial da ONU para o Saara Ocidental, Staffan de Mistura, mostrou-se impaciente com o bloqueio do processo de paz e apelou a Marrocos para “pormenorizar a proposta de autonomia” perante o Conselho de Segurança.

Com os Estados Unidos a deterem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU (é um dos cinco membros permanentes do órgão), o regresso de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025 poderá implicar também o regresso de uma resolução que Washington aprovou logo após o rompimento do cessar-fogo, em dezembro de 2020, que reconhecia a soberania de Rabat sobre a antiga colónia espanhola em troca do restabelecimento das relações entre Marrocos e Israel.

Numa guerra de baixa intensidade, após a operação militar marroquina, a 13 de novembro de 2020, para expulsar os militantes sarauís que tinham bloqueado durante semanas o posto fronteiriço de Guerguerat, entre o Saara e a Mauritânia, a Polisário denunciou a violação de uma trégua de 30 anos e iniciou os ataques.

A frente sarauí dispara com artilharia, com Marrocos a atacar principalmente com ‘drones’.

Os ataques mútuos têm atravessado esporadicamente a chamada “zona tampão”, uma faixa de terra ao longo da fronteira com a Mauritânia e a Argélia, como aconteceu em outubro do 2023, quando Marrocos comunicou a morte de um civil de 23 anos e três feridos por disparos sobre Smara, uma aldeia afastada da vedação que separa 80% do território controlado por Rabat e a parte administrada pela Polisário.

A Polisário comunica regularmente relatórios de guerra sobre os seus ataques e baixas nas “fileiras inimigas” (contra o exército marroquino), mas nega atacar alvos civis, enquanto Marrocos mantém uma política de silêncio sobre a atividade bélica.

O ex-ministro marroquino Mustafa Jalfi, citado hoje pela EFE, considera que o tiroteio de Mahbes e o ataque de outubro de 2023 a Smara confirmam que a “organização separatista”, a Polisário, é uma entidade que “ataca civis”.

Jalfi sustenta que Marrocos “não está em estado de guerra” e qualifica os ataques da Polisário como “escaramuças marginais, limitadas e ineficazes” sobre as quais o país magrebino informa o Conselho de Segurança da ONU.

Segundo o Gabinete de Coordenação da Ação Antiminas Sarauí (SMACO), os ‘drones’ marroquinos causaram 120 mortos, na maioria sarauís e mauritanos, mas também vitimaram três argelinos, cinco sudaneses, quatro malianos e outras oito pessoas de nacionalidade desconhecida.

Sem grandes acontecimentos no campo de batalha, apesar do custo humano, a Polisário reconheceu o tiroteio de sábado passado contra Mahbes, embora não tenha assumido intencionalidade contra a cerimónia comemorativa da Marcha Verde, acontecimento que remota a 1975 e que foi promovido na ocasião pelo falecido rei Hassan II para tomar o controlo do Saara Ocidental, dias antes da formalização do pacto de Madrid, em que a Espanha cedeu o território a favor de Marrocos e da Mauritânia.

Os vídeos que surgiram do tiroteio de sábado em Mehbes, entre sons de explosões e comemorações, ilustraram as duas visões diferentes do estado de guerra e também da origem de um conflito num território não autónomo que, segundo a ONU, ainda está em processo de descolonização, menciona ainda a análise da EFE.

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