EnviosCuba.com, uma das principais plataformas usadas pelos cubanos nos Estados Unidos para enviar mantimentos para a ilha, suspendeu as suas operações após as crescentes sanções do presidente norte-americano, Donald Trump, a Havana.
“Caros clientes, por motivos alheios à nossa vontade, a nossa plataforma não pode continuar a oferecer serviços”, indica uma mensagem no site da empresa, que não fornece mais detalhes sobre o encerramento.
A empresa, que vendia e enviava comida, produtos de higiene, eletrodomésticos, aparelhos de cozinha, álcool e roupa, assegurou no entanto, que “todas as encomendas aprovadas e em andamento serão despachadas”.
“A nossa equipa de apoio estará à sua disposição para qualquer dúvida ou pedido da sua parte. Muito obrigado pela sua lealdade ao longo de tantos anos. Foi uma honra e um privilégio servi-los”, explicou a plataforma, que prestava serviço em cidades como Havana, Santiago de Cuba, Camagüey, Granma e Holguín.
A plataforma permitia aos cubanos nos Estados Unidos comprarem produtos para enviá-los às suas famílias na ilha, que sofre uma crise energética desde meados de 2024, agravada desde janeiro último pelo embargo petrolífero que Trump ordenou.
Este anúncio facto ocorre após se cumprir, a 05 de junho, o período que Washington concedeu a empresas estrangeiras com presença em Cuba para que rompam laços com a ilha, antes que enfrentem represálias, como parte da pressão ao Governo de Miguel Díaz-Canel e à família do ex-presidente Raúl Castro.
Trump avisou que quem mantivesse negócios com o Governo cubano e o seu conglomerado empresarial militar, Gaesa, seria sancionado por Washington, e que se expunham ao bloqueio dos seus ativos nos EUA.
Além disso, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou na semana passada sanções contra a União Cuba-Petróleo (CUPET), empresa estatal da ilha.
As sanções motivaram governos locais no sul da Florida, lar da maior diáspora cubana nos Estados Unidos, a revogar licenças de negócios com supostos laços com Havana.
Na última quinta-feira, o Condado de Miami-Dade revogou a licença fiscal local da empresa Vanguard Energy, que pretendia exportar para Cuba 250.000 barris de combustível, alegando que a cidade “não servirá como base de operações para atividades que violem a lei federal ou apoiem a ditadura cubana”.