O Presidente norte-americano colocou hoje em dúvida a presença do seu vice-presidente, JD Vance, nas negociações com o Irão previstas para a próxima sexta-feira no Paquistão devido a questões de segurança.
“Teremos Steve Witkoff [enviado especial para o Médio Oriente], Jared Kushner [genro do Presidente norte-americano], JD, talvez JD, não sei. Há uma questão de segurança”, disse Donald Trump numa breve entrevista telefónica ao jornal New York Post.
Witkoff e Kushner protagonizaram, no último ano, várias rondas de diálogo com Teerão - a última a 27 de fevereiro, um dia antes de os Estados Unidos e Israel começarem a atacar o Irão - , enquanto esta seria a primeira vez que o vice-presidente norte-americano, que se encontra atualmente de visita na Hungria, se envolveria diretamente neste tipo de negociações.
Estas declarações surgem num momento em que as agências iranianas difundem uma notícia do The Wall Street Journal que refere que Teerão informou os mediadores de que a sua participação nas conversações com os Estados Unidos em Islamabad depende da conclusão de um cessar-fogo no Líbano.
O Governo paquistanês confirmou a participação do Irão nas negociações de paz com os Estados Unidos, após uma chamada de mais de 45 minutos entre o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
Tudo indicava que a base da negociação para o encontro de sexta-feira fosse um plano de dez pontos apresentado por Teerão, embora um alto funcionário da presidência norte-americana tenha dito hoje que esse plano iraniano não constitui a base das negociações em curso, sublinhando que o processo diplomático decorre de forma reservada.
“O documento que está a ser divulgado na imprensa não é o plano em que estamos a trabalhar. Não vamos negociar publicamente”, disse a fonte da Casa Branca, citada pela agência francesa AFP, que pediu anonimato.
A frágil trégua entre os beligerantes poderá estar em risco de cair por terra após Israel ter efetuado hoje ataques em larga escala contra o Líbano que provocaram pelo menos 112 mortos e 837 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês.
O Paquistão, que tem exercido o papel de mediador, assegurou que o pacto alcançado para uma trégua de duas semanas era um “cessar-fogo imediato em toda a região, incluindo o Líbano e outros locais”.
A Guarda Revolucionária iraniana reagiu aos bombardeamentos israelitas e ameaçou responder aos “crimes brutais” hoje no Líbano.
“Uma agressão contra o orgulhoso Hezbollah é uma agressão contra o Irão”, declarou o comandante da Força Aeroespacial da força ideológica do regime, Majid Mousavi, citado pela agência IRNA, acrescentando que está em preparação “uma resposta contundente”.
Teerão também tinha anunciado momentos antes que suspendeu o tráfego de petroleiros através do estreito de Ormuz, no seguimento do ataque aéreo israelita.
Antes do anúncio do restabelecimento do bloqueio no estreito de Ormuz e das ameaçadas da força ideológica do Irão, o chefe da diplomacia de Teerão, Abbas Araqchi, já tinha acusado Israel de “violações do cessar-fogo” no Líbano.