O diretor do Centro Contra o Terrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, apresentou hoje a demissão ao Presidente, Donald Trump, em protesto contra a guerra que o país e Israel travam contra o Irão.
“Não posso, em boa consciência, apoiar a guerra que se trava no Irão. O Irão não representava qualquer ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso ‘lobby’ nos Estados Unidos (EUA)”, escreveu Kent numa carta dirigida a Trump.
O Centro Nacional Contra o Terrorismo, pertencente ao Gabinete de Serviços Secretos Nacionais dos Estados Unidos, é um organismo criado após os atentados de 11 de Setembro de 2001, para coligir informação sobre terrorismo internacional.
Na sua carta, Kent, um veterano do Exército norte-americano, recordou que Trump fez campanha com a plataforma “America First (“A América Primeiro”)”, alegando que “as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que custou aos Estados Unidos vidas preciosas” dos seus soldados e “a prosperidade” do país.
O diretor demissionário do Centro Nacional Contra o Terrorismo acusou também altos responsáveis israelitas de orquestrarem “uma campanha de desinformação” para justificar a ofensiva contra o Irão, “a mesma tática que os israelitas usaram” para arrastar os Estados Unidos para a “desastrosa guerra do Iraque”.
“Rezo para que reflita sobre o que estamos a fazer no Irão e para quem estamos a fazê-lo. O momento de agir com coragem é agora. Pode mudar de rumo” dos acontecimentos, escreveu Kent na missiva a Trump.
A guerra com o Irão, na qual morreram até agora pelo menos 13 militares norte-americanos e que fez subir os preços da gasolina, foi criticada por algumas vozes próximas de Trump, como o jornalista Tucker Carlson, para quem esta contradiz a promessa de campanha do republicano de se concentrar em questões internas e manter o país fora de guerras no estrangeiro.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.
Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão pelo menos 1.348 mortos, entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e mais de 10.000 civis feridos.
A organização não-governamental (ONG) norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA) informou, a 11 de março, que morreram mais de 1.825 pessoas, incluindo quase 1.300 civis, entre os quais pelo menos 200 crianças.