A China disse hoje que retirou um primeiro grupo de compatriotas do Sudão, face aos combates que duram há mais de uma semana entre o exército e os paramilitares.
"O ministério dos Negócios Estrangeiros da China ativou um mecanismo de emergência para garantir a segurança dos cidadãos chineses, após o início dos confrontos", disse a porta-voz da diplomacia chinesa Mao Ning, em conferência de imprensa.
Mao revelou que um "primeiro grupo de cidadãos foi retirado para um país vizinho", mas não especificou quantos chineses deixaram o país ou para onde viajaram.
O ministério continua a trabalhar para "coordenar os planos de retirada", acrescentou.
Nos últimos dois dias, vários países, como Estados Unidos, Japão, Espanha e Coreia do Sul, anunciaram o envio de aeronaves para Djibuti - um pequeno país a cerca de 1.700 quilómetros de Cartum e onde tanto os EUA como a China têm bases -, para coordenar a retirada.
Questionado sobre a situação, um porta-voz da diplomacia chinesa, pediu, na semana passada, um cessar-fogo e a retoma do diálogo.
"A China espera que todas as partes no Sudão fortaleçam o diálogo e promovam em conjunto o processo de transição política", apontou.
A China tem uma forte presença económica no Sudão, apesar da contínua turbulência política no país islâmico, desde que se dividiu em dois, em 2011, após a formação do Sudão do Sul, ao fim de décadas de guerra civil.
Mais de 130 empresas chinesas investem e operam no Sudão, que também abriga uma grande força de trabalho chinesa. A China é também o maior parceiro comercial do Sudão, com um volume de comércio total de 2,6 mil milhões de dólares, em 2021.
As empresas chinesas no Sudão estão envolvidas na construção de infraestruturas, tendo uma participação de mercado de mais de 50% em contratos de obras.
De acordo com o ministério do Comércio da China, foram assinados 40 novos contratos por empresas chinesas no Sudão em 2020, e o número de trabalhadores chineses no país ascendeu a 1.330, no final do mesmo ano.
Segundo as Nações Unidas, mais de 420 pessoas foram mortas no Sudão e mais de 3.700 ficaram feridas desde o início das hostilidades.
O país africano foi governado, antes do início dos combates, por uma junta liderada pelo general Abdelfatá al Burhan, cujo "número dois" era o líder militar das RFS, Mohamed Hamdan Dagalo.
Os desacordos entre os dois sobre a integração paramilitar num futuro exército unificado - um acordo anterior à formação de um novo governo de unidade liderado por civis - acabaram por degenerar neste conflito, que começou no dia 15 de abril.
Lusa