Lucros do Novo Banco quase duplicam no primeiro semestre para 266,7 ME

Lusa

O Novo Banco registou, no primeiro semestre deste ano, lucros de 266,7 milhões de euros, um aumento de 93,7% em relação a igual período do ano passado, adiantou a instituição, em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Na nota, o banco indicou que este é um "sólido desempenho do negócio com incremento da rentabilidade apesar do atual contexto macroeconómico caracterizado por pressões inflacionistas e consequente volatilidade das taxas de juro".

Assim, “no primeiro semestre de 2022 o grupo novobanco apresenta um resultado de 266,7 milhões de euros (+129,0 milhões de euros vs 1S21), cuja evolução se justifica pela melhoria do produto bancário (+82,4 milhões de euros) e pelo menor nível de imparidades e provisões (-77,8%; -69,4 milhões de euros), referiu.

No mesmo período, destacou, “a margem financeira totalizou 268,0 milhões de euros”, menos 7,3% face ao primeiro semestre de 2021 (1S21), “refletindo a evolução estável da taxa média do crédito a clientes e o efeito das emissões de dívida sénior no 4T21 [quarto trimestre de 2021] e das taxas de juro negativas nas aplicações do mercado monetário”.

Paralelamente, as “comissões de serviços a clientes ascenderam a 144,4 milhões de euros (+6,5% vs 1S21), espelhando um sólido desempenho e mantendo a tendência positiva dos últimos trimestres”, referiu.

De acordo com a mesma nota, o produto bancário comercial da instituição “totalizou 412,4 milhões de euros (-2,9% vs 1S21), com o produto bancário a totalizar 571,5 milhões de euros (+16,9% vs 1S21), incluindo o contributo positivo dos outros resultados de exploração de 73,2 milhões de euros, impulsionado pelo processo de desalavancagem do portefólio imobiliário”.

O banco indicou ainda que registou uma “evolução positiva do crédito a clientes (25,5 mil milhões de euros, +2,6% vs dez/21), em todos os segmentos”, tendo os recursos totais de clientes crescido “2,4% face a dez/21, apresentando um aumento dos depósitos de clientes de 3,9% (+1,1 mil milhões de euros) reflexo do crescimento do negócio”, para um total de 28,3 mil milhões de euros, segundo os dados da instituição.

No que diz respeito aos rácios de créditos não produtivos (NPL) atingiram “5,4% (dez/21: 5,7%; jun/21: 7,3%), com o rácio de cobertura de 73,0%, em linha com a estratégia de ‘de-risking’ [redução do risco] e aproximando-se do rácio médio dos ‘peers’ [pares] europeus”.

O banco recordou que “tem o seu rácio de Common Equity Tier 1 (CET1) protegido em níveis predeterminados até aos montantes das perdas já verificadas nos ativos protegidos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente”.

No comunicado, a instituição realçou que “o montante de compensação solicitado com referência a 2021, no montante de 209,2 milhões de euros (valor não considerado no cálculo de capital regulamentar com referência a 31 de dezembro de 2021), teve em conta as perdas incorridas nos ativos cobertos pelo Mecanismo de Capitalização Contingente, bem como as condições mínimas de capital aplicáveis no final do mesmo ano ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente”.

Além disso, destacou, “no que respeita ao valor solicitado ao Fundo de Resolução, relativo ao exercício de 2020 subsistem duas diferenças que resultam de divergências, entre o novobanco e o Fundo de Resolução” relativamente “à provisão para operações descontinuadas em Espanha” e à “valorização de unidades de participação, que estão sujeitos a uma decisão arbitral”

Assim, o banco “considera estes valores (165 milhões de euros) como devidos ao abrigo do Mecanismo de Capitalização Contingente, estando a despoletar os mecanismos legais e contratuais à sua disposição no sentido de assegurar o recebimento dos mesmos”.

Estes foram os últimos resultados apresentados por António Ramalho, que abandonou hoje a liderança do Novo Banco, substituído por Mark Bourke.

"Os resultados confirmam o momentum do novobanco e o modelo de negócio acretivo, combinado com medidas específicas de geração de capital. O novobanco demonstra criação de valor para todos os seus 'stakeholders', com o progresso efetuado nos últimos anos refletido no ‘upgrade’ [melhoria] de dois níveis pela Moodys. O Banco está bem posicionado para continuar a crescer e competir no mercado português", disse o gestor, citado no mesmo comunicado.