Tóquio2020: Seleção de andebol entre culpas próprias e o efeito do 'jet lag'

Lusa

A seleção portuguesa de andebol estreou-se nos Jogos Olímpicos com a frustração de ter ficado a um ponto – ou um golo - do apuramento para os quartos de final, tento que lhe faltou nos dois jogos que perdeu pela margem mínima.

Mesmo raramente estando ao nível que a fez ombrear com algumas das melhores seleções internacionais nos últimos anos, a equipa de Paulo Jorge Pereira esteve a muito pouco de voltar a fazer história, podendo repartir as responsabilidades de o não ter conseguido entre os erros próprios e as condicionantes da tardia chegada ao Japão, sem cumprir com os prazos aconselhados para ajuste ao ‘jet lag’.

Os ‘heróis do mar’ despediram-se hoje da prova a um golo do objetivo - no desempate entre três seleções, com o Bahrain, a quem ganhou por um, e Japão, com quem perdeu igualmente por um, saiu beneficiado o conjunto do Médio Oriente que bateu os anfitriões por dois tentos –, depois do desaire por 31-30 ante os nipónicos, após o acumular erros nos momentos decisivos.

Ante a Suécia, vice-campeã do Mundo, desaire por 29-28 e o desperdício do último ataque, de 17 segundos, nem sequer conseguindo rematar.

De resto, derrota na estreia ante o Egito, por 37-31, com a equipa a eclipsar-se a meio da segunda parte num desafio muito equilibrado, e por 34-28 ante a Dinamarca, campeã olímpica e bicampeã mundial, talvez a maior candidata ao ouro.

O único triunfo, por 26-25 ante o Bahrain, também muito sofrido, à segunda jornada deu um alento que, no fim, acabou por não bastar.

Após o desafio decisivo, às 09:00 (01:00 em Lisboa), horário que já tinha causado “muita preocupação” a Paulo Jorge Pereira, o selecionador revelou o seu desagrado pelo facto da sua comitiva só ter chegado ao Japão a cinco dias do início da competição, quando deveria ter feito uma adaptação mais prolongada.

“Sinto mágoa e tristeza. Se tudo fosse feito melhor, planificado melhor, se chegássemos mais cedo, como fizeram todos os outros... Quando todos fazem diferente não podemos querer que sejamos nós os vencedores. Alguma coisa está mal...”, criticou, no fim do encontro.

O selecionador lembrou que chegar somente a cinco dias da estreia na competição, o grupo “não cumpriu com a hora e meia por dia de recuperação para um fuso horário de oito horas”.

“Quem anda pelo mundo sabe do que falo, das implicações do ‘jet lag’. Todas as outras seleções chegaram quatro/cinco dias antes de nós. Nós estamos bem e eles mal? Ou será ao contrário? Precisávamos de 11/12 dias para estarmos prontos a jogar no máximo do nosso potencial”, defendeu.

Após o afastamento, Paulo Jorge Pereira prometeu escrever, “daqui a uns anos”, um livro, intitulado “o golo que falta”, apropriado para a sina dos ‘heróis do mar’ no Japão.

João Ferraz foi o melhor marcador luso com 17 golos em 28 remates, com uma eficácia de 61%, seguindo-se André Gomes com 16 tentos em 31 tentativas, 52%: destaque ainda para os 15 golos de Rui Silva e Pedro Portela.

Em 235 remates, Portugal converteu somente 143, apresentando uma taxa de eficácia de 60,8%.