Vitória de Guimarães com três jogos à porta fechada por incidentes com Marega

O Vitória de Guimarães foi punido com três jogos à porta fechada e 53.550 euros de multa, pelos incidentes com Marega em 16 de fevereiro de 2020, anunciou hoje o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Em comunicado, o CD da FPF dá conta da decisão sobre o processo referente aos insultos racistas dirigidos ao futebolista maliano Marega, no jogo entre Vitória de Guimarães-FC Porto, da 21.ª jornada da edição de 2019/20 da I Liga, que os ‘dragões’ venceram por 2-1.

Esta punição resulta da infração do artigo 113.º do Regulamento Disciplinar (RD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), sobre comportamentos discriminatórios: “Os clubes que promovam, consintam ou tolerem a exibição de faixas, o cântico de slogans racistas ou, em geral, quaisquer comportamentos que atentem contra a dignidade humana em função da raça, língua, religião, origem étnica, género ou orientação sexual serão punidos com a sanção de realização de jogos à porta fechada a fixar entre o mínimo de dois e o máximo de cinco jogos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 250 UC e máximo de 1.250 UC”.

De acordo com o comunicado do CD, foi tida como agravante a reincidência do clube, aplicando a alínea a) do artigo 53.º e o ponto terceiro do artigo 56.º, que prevê que “sempre que houver lugar à aplicação de circunstância agravante, a sanção concretamente aplicada ao agente é agravada em um quarto”.

Caso não seja contestado, o castigo pode ser cumprido imediatamente. Esta época, o Vitória de Guimarães tem mais dois jogos em casa, frente ao Famalicão, em 12 de maio, para a 32.ª jornada, e ao Benfica, na última ronda, previsto para o dia 19.

O avançado do FC Porto recusou-se a permanecer em campo, ao minuto 71 do jogo, após ter sido alvo de cânticos racistas por parte dos adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os ‘dragões’ já venciam por 2-1.

Depois de pedir a substituição, Marega, que já alinhou no emblema minhoto e tinha marcado o segundo golo dos ‘azuis e brancos’, dirigiu-se para as bancadas do recinto vimaranense, com os polegares a apontarem para baixo, situação que originou uma interrupção do jogo durante cerca de cinco minutos.

Vários jogadores do FC Porto e do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo, tendo acabado por ser substituído por Manafá.

Os incidentes foram motivo para a abertura de um processo disciplinar, dois dias depois do jogo, em 18 de fevereiro de 2020, sendo que, segundo fonte ligada ao processo, a acusação da Comissão de Instrutores (CI) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) ficou concluída em 26 de março de 2021.

De acordo com a mesma fonte, o Vitória de Guimarães abdicou da presença na audiência disciplinar, marcada para 19 de abril último, tendo a decisão sido tomada na reunião do CD de 03 de maio.

Este caso já tinha dado origem a vários processos, por entidades distintas, outro deles pela Autoridade para a Prevenção e Combate da Violência no Desporto (APCVD), que puniu o clube minhoto também com três jogos em casa à porta fechada, mas estes terão de ser cumpridos após o regresso do público aos estádios.

O emblema de Guimarães recorreu desta decisão e criticou ainda o presidente da Liga, Pedro Proença, considerando que este desrespeitou “a separação de poderes”, após ter tomado posição sobre uma decisão do Tribunal da Relação de Guimarães.

Este órgão decidiu anular uma multa imposta a um adepto - um indivíduo de 29 anos na bancada sul, junto à claque vitoriana White Angels - pela APCVD por ocultação de identidade.

O outro processo decorre após uma investigação da Polícia de Segurança Pública (PSP), que acedeu às imagens de videovigilância do estádio, de forma a serem identificados os eventuais autores dos insultos racistas, e um processo-crime do Ministério Público (MP) "por atos de discriminação racial".

Três adeptos do emblema vimaranense estão a ser julgados no Tribunal de Guimarães pelo crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos, desde 25 de setembro.