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Artigo de Opinião

Bispo Emérito do Funchal

1/01/2022 08:00

"O Senhor disse a Moisés: "Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel dizendo: O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a Paz.

Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e eu os abençoarei" (Números 6, 22-2).

Esta bênção faz parte da liturgia hebraica, que os judeus ainda hoje a rezam, a Igreja Católica a repete na primeira leitura do Dia Mundial da Paz, ou seja, no primeiro dia do ano. Esta pequena joia está contida no Pentateuco que é composto do Génesis, Êxodo,

Levítico, Números e Deuteronómio. A Bênção era proferida no deserto do Sinai, pela tribo de Levi, a escolhida por Deus para assegurar um culto santo entre as doze tribos. O que Deus estabelece com número, peso e medida, não é somente um agrupamento de tribos, mas uma comunidade santa, o autor sonha com uma comunidade que é o conjunto daqueles que vivem e observam as leis de Deus na futura Terra prometida. A maior preocupação do autor do Livro dos Números é a formação interior dos levitas, aos quais compete o serviço do santuário. O autor recolhe as antigas tradições e costumes para renovar o sentido religioso. O livro dos Números pertence à substância do Pentateuco, que remonte a Moisés, o fundador da comunidade, assembleia religiosa do Sinai, união de tribos, povo constituído e enraizado nas estepes do Sinai. Israel é dominado pela personalidade de Moisés que, aparece também na Teofania do Monte Tabor, no Novo Testamento.

Retornando ao texto bíblico, só ele permite observar os diversos quilates deste diamante de beleza literária e litúrgica que, não se podem reproduzir na sua totalidade. Ele é formado de três fases, como encontramos no princípio do Texto.

A primeira é constituída por três palavras, a segunda por cinco, a terceira por sete.

A tríplice invocação assegura a bênção da Igreja, que para nós cristãos do Novo Testamento, recordam a Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo, o que

exclui no tempo de Moisés qualquer invocação da família divina. Uma das palavras mais importante da Bênção é a Paz, em hebraico SHALOM, palavra rica de significados não apenas a ausência de guerra.

O Shalom de Deus é uma das palavras mais ricas de significado da Bíblia. Na recente peregrinação a Jerusalém, a guia Ester, quando de manhã a saudávamos "bom dia" em hebraico "boker tov" ela respondia, dizei antes Shalom, é muito mais belo e rico de significados. Hoje, que entendem os homens por "Paz"’.

O Senhor Cardial Tolentino Mendonça, dizia na Missa de Natal na Sé do Funchal:

"A sociedade atual é uma sociedade de surdos, em que as diferenças parecem que são impedimentos, obstáculos em vez de serem lugares de complemento, variedade, de

crescimento, de encontro. Precisamos de dar as mãos uns aos outros, mesmo pensando coisas diferentes. Precisamos de dar as mãos uns aos outros, de nos agarrarmos".

O Papa Francisco, por seu lado, neste tempo de Natal, pede "o silenciamento das armas na Ucrânia, está numa guerra sem sentido".

Putin diz: "estamos prontos para negociar, discutir soluções aceitáveis". Poucos acreditam nestas palavras, mas é preciso acabar com mais destruição sem humilhar o povo russo que não é todo culpável e tem sofrido terrivelmente com os seus novos e antigos czares.

A União Europeia, talvez, recordando os seus fundadores cristãos, permitiu aceitar no Natal um Presépio!

O profeta Isaías enriqueceu-nos no tempo do Advento com as mais belas imagens do verdadeiro Shalom de Deus: "Um ramo sairá do tronco de Jessé, um Rebento brotará das suas raízes, sobre Ele repousará o espírito de Deus, a justiça será o cinto dos seus lombos e a fidelidade o cinto dos seus rins. Então o lobo morará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito, o bezerro, o leãozinho, o gordo novilho andarão juntos, um menino pequeno os guiará. A vaca e o urso pastarão juntos, juntas se deitarão as suas crias. O leão se alimentará de forragens como o boi, a criança de peito poderá brincar junto à cova da áspide, a criança pequena porá a mão na cova da víbora, porque a terra ficará cheia do conhecimento de Deus como as águas enchem o mar" (IS. 11, I-9).

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