1981: Uma história acidental (II)

Uma estória que desperta o interesse aos petrolheads? Claro.

Mamma Mia! Diziam também os italianos, por ser impensável, de início, em especial aos tiffosi dos ralis, na segunda metade da década de 70, que aquele modelo Fiat 131 de berlina familiar pudesse atingir o patamar de campeão mundial de ralis. Mas com o trabalho de bastidores da Abarth, desde a primeira hora e financiada pelo Grupo Fiat, acabou por ser, o carrasco do mítico Lancia Stratos, conquistando 3 títulos mundiais em quatro anos.

Quando o apresentaram, no outono de 1974, a Fiat tudo fez para que a segurança e a fiabilidade fossem a imagem do novo modelo familiar para a década de 70, que apelidaram de FIAT 131 Mirafiori (pois a Fiat tinha inaugurado o primeiro sistema robotizado na sua produção, no histórico estabelecimento de Mirafiori). Equipados com motores 1.3 cc e 1.6 cc de 65 cv e 75 cv, com a tradicional caixa de quatro velocidades e equipado com travões de disco frontais. Compensava com espaço, luminosidade, conforto, climatização e protecção anti-corrosão ao nível de modelos de maior valor comercial.

O projecto para a criar a versão Fiat 131 Rally nasce por volta de 1975, desenvolvida pelos técnicos da Abarth e pela Casa Bertone em simbiose, dirigidos pelo Eng. Nicola Tufarelli, responsável pela divisão da Fiat. Partindo da versão base do 131, aligeirando toda a estrutura, com a utilização de material em fibra de vidro e alumínio, e na colocação dos pára-lamas alargados para alojar as famosas jantes Cromodora e Pneus Pirelli P7 Corsa 235/45 VR15 de 10" no eixo frontal e 11" nas rodas traseiras e na colocação dos apêndices aerodinâmicos. Utilizando nesta fase inicial, num pré-série, com o motor 1840 cc e 16 válvulas do 124 Abarth rally , que pretendia suceder, e com ele participam nos primeiros ralis em fins de 1975 na Itália. O kit de preparação custava tanto quanto um exemplar novo do 131 versão stradale!

Iniciando-se quase em simultâneo a produção em Mirafiori de 400 unidades para obter a homologação FIA de Grupo 4 – obtida a bem da verdade, no dia 1 de Abril de 1976 – as quais são finalizadas como 131 Abarth Rally nas instalações da Bertone em Grugliasco, Turim. A versão definitiva surge em competição no início de 1976. Motor quatro cilindros em linha, de 16 válvulas (215 cv às 7000 rpm, mais tarde 225 às 7600 rpm), o bloco especial tipo 131 AR, entre outras especificações somente presentes na versão Corsa incluindo um tanque de combustível especial de 60 litros e atingindo os 220 km/h de velocidade máxima. [cont.]