Na sequência das declarações proferidas ontem pelo presidente do Governo Regional, anunciando a decisão de vender o Hospital Dr. Nélio Mendonça, a comissão política do MPT Madeira questiona o real interesse na construção de um novo hospital.
Considerando que: “os médicos serão exatamente os mesmos; os equipamentos serão idênticos ou apenas ligeiramente atualizados; o número de camas não sofrerá alterações significativas; existem alertas de que o investimento em medicamentos poderá ser reduzido; permanece por resolver o problema das altas problemáticas, que continua a obrigar ao adiamento de cirurgias”, o MPT recorda, em comunicado, que o Hospital Dr. Nélio Mendonça poderia “precisamente contribuir para resolver este último ponto”.
A comissão política do MPT Madeira reconhece “que a infraestrutura não reúne condições para funcionar como lar de terceira idade. Contudo, isso não impede que seja reaproveitada para funções essenciais ao sistema de saúde regional, nomeadamente como Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) e como resposta dedicada às altas problemáticas”.
“O Hospital Dr. Nélio Mendonça reúne condições para acolher este tipo de respostas” e “importa salientar que existem atualmente cerca de 230 utentes em situação de alta problemática, ocupando aproximadamente um terço das cerca de 600 camas do hospital”, refere o partido.
“É previsível que este número aumente nos próximos anos, devido aos baixos rendimentos familiares e à crescente precariedade laboral, que dificultam o apoio domiciliário a estes utentes. Segundo o presidente do governo regional, a receita da venda será utilizada para amortizar parte dos custos do novo hospital central. Contudo, de acordo com dados oficiais do próprio Governo Regional, ‘no final de novembro de 2025, o saldo global consolidado da Administração Pública Regional é excedentário em 126,6 milhões de euros’. Assim, não se vislumbram razões financeiras que justifiquem a necessidade de alienar o edifício”.
Perante tais informações, a comissão política do MPT Madeira questiona: “por que motivo vender uma infraestrutura que pode ser reutilizada a baixo custo, para um uso semelhante ao que já desempenha? E, mais ainda, se o Governo Regional considera que o edifício apresenta ‘custos excessivos e disfuncionalidades que não são sustentáveis do ponto de vista financeiro e funcional’, porque razão seriam esses mesmos custos sustentáveis para um comprador privado?”.