Os deputados Emanuel Câmara e Carlos Pereira, do PS, intervieram hoje junto da ANAC e do Governo Regional da Madeira, pela voz do secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, deixando críticas firmes às alterações introduzidas pelo Governo da República ao Subsídio Social de Mobilidade.
Na intervenção dirigida ao Governo Regional, no âmbito da audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, ambos os deputados sublinharam que as mudanças promovidas pelo Governo da AD agravaram significativamente a vida dos cidadãos, criando mais burocracia, novas exigências e, simultaneamente, menos apoio efetivo. Para os deputados socialistas, teria sido preferível que o Governo da República não tivesse mexido no regime, porque interveio e conseguiu torná-lo pior.
Emanuel Câmara questionou diretamente o secretário regional sobre a participação do Governo Regional no grupo de trabalho que preparou as alterações ao regime, querendo saber se a Região teve oportunidade de alertar para os erros que estavam a ser cometidos. O parlamentar socialista foi claro: “se o Governo Regional participou e nada conseguiu alterar, então o Governo de Luís Montenegro não é digno de confiança e o Governo Regional demonstra não ter qualquer peso político junto da República”.
O secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura respondeu que caberá agora à Assembleia da República corrigir os aspetos negativos do regime, acrescentando que o novo modelo de “max fare” estará em vigor dentro de alguns meses. No entanto, Eduardo Jesus não explicou como será concretamente implementado esse modelo, nem como serão garantidos os direitos dos madeirenses e porto-santenses até lá.
Carlos Pereira lembrou que o próprio secretário regional já tinha pedido ajuda aos deputados do PS na Assembleia da República para “resolver as maldades” criadas por estas alterações, mas que agora tenta convencer os madeirenses de que se pode confiar num Governo liderado por Luís Montenegro, que promete novas soluções “daqui a uns meses” assegurando que teremos um modelo com pagamento apenas da tarifa líquida. Para o deputado socialista, existe um verdadeiro elefante na sala: a profunda falta de confiança no Governo da AD e na capacidade do Governo Regional para defender os interesses da Madeira e, portanto, enorme desconfiança nestas proclamações.
De acordo com uma nota do partido, Emanuel Câmara e Carlos Pereira afirmaram ainda que, durante os oito anos de governação do Partido Socialista, nunca foram adotadas medidas que prejudicassem os madeirenses em matéria de mobilidade. Em contraste, argumentam, “a AD começa o ano com decisões que penalizam a Região e criam dificuldades acrescidas às famílias e aos estudantes”, pode ler-se.