A CDU acusou esta quarta-feira o Governo Regional de ser um “campeão das petas”, defendendo que o executivo liderado por Miguel Albuquerque acumula promessas não cumpridas em vários setores. A crítica foi feita numa iniciativa realizada junto à Quinta Vigia, no Funchal, no âmbito do Dia das Mentiras.
O dirigente comunista Ricardo Lume afirmou que “na Madeira há quem não se limite ao 1 de abril para faltar à verdade”, acusando o Governo Regional PSD/CDS de manter “ao longo de todo o ano” uma prática de anúncios que não se concretizam.
Na ocasião, a CDU entregou simbolicamente o prémio ‘Pinóquio Dourado’ ao executivo, considerando-o “fértil em promessas e particularmente competente a não as cumprir”. “Para Miguel Albuquerque e os seus governantes, o importante é anunciar, criar factos e alimentar um verdadeiro ‘mentirume’”, declarou Ricardo Lume.
Na nota enviada às redações, a CDU enumera vários exemplos que considera ilustrativos de incumprimento. Entre eles, destaca a promessa de criação de uma residência para idosos na antiga escola de São Jorge até ao final de 2024, bem como a recuperação do edifício do Lar da Bela Vista após a sua concessão a privados.
Na área da saúde, os comunistas referem que a anunciada cobertura a 100% de médicos e enfermeiros de família não se concretizou, apontando que há utentes sem médico atribuído e encaminhados para soluções alternativas.
Também no plano laboral são apontados atrasos, nomeadamente na revisão da carreira dos Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, que aguardam há mais de quatro anos, e no cumprimento de compromissos assumidos com enfermeiros, como a contratação de 200 profissionais.
A CDU critica ainda a ausência de um contrato coletivo de trabalho para os trabalhadores das IPSS, anunciado para janeiro de 2026, e a não implementação da redução do horário de trabalho para 35 horas semanais na empresa Horários do Funchal.
No setor das obras públicas, o partido aponta o caso da reformulação do Nó de Santo António, apresentada em março de 2025 com um prazo de execução de 24 meses, mas que, mais de um ano depois, “continua em fase invisível”.
Para a CDU, estes casos demonstram um padrão. “As populações não vivem de anúncios”, sublinha o partido, defendendo que muitas das situações identificadas têm solução, faltando “vontade política” para a sua concretização.