Segundo o JPP, em 2025 os agricultores da Madeira enfrentarão um aumento de 151% no preço da água para regadio, o que terá um grande impacto nos custos de produção agrícola. Este aumento surge no contexto de uma revisão do tarifário da empresa pública Águas e Resíduos da Madeira (ARM), que também aplica um aumento de 12% no preço da água potável para consumo doméstico. A decisão gerou forte contestação por parte de muitas autarcas, especialmente porque o aumento da água doméstica é quatro vezes superior à inflação registada, que foi de 3,3% em 2024.
No caso dos agricultores, o valor anual pago por cada hora de contrato de água para regadio vai subir significativamente, passando de 16,78€ em 2024 para 42,13€ em 2025, conforme indica o JPP em comunicado à imprensa.
Este aumento será refletido diretamente nos custos da produção agrícola, afetando sobretudo aqueles com rendimentos mais baixos. Por exemplo, um agricultor que pagou 839€ por 50 horas anuais de água em 2024, terá que desembolsar 2 106,50€ em 2025, um aumento de 1 267,50€.
O líder do JPP, Élvio Sousa, critica esta medida, considerando a injustiça, e questiona a disparidade de tratamento entre os agricultores e as atividades turísticas, como os campos de golfe, que sofreram aumentos muito menores, de 31,8%.
“Não há qualquer sentido de justiça nesta decisão, não se compreende a falta de critério”, diz Élvio Sousa. “Para uma atividade turística lucrativa, aplicam uma tarifa 120% mais baixa do que a exigida a uma atividade de baixos rendimentos, mas fundamental para termos produtos à mesa e cuidar da nossa paisagem. São estas as prioridades governativas de Miguel Albuquerque e Rafaela Fernandes.”