O mundo endoideceu?

Quando vamos lendo e vendo notícias por esse mundo fora, a conclusão só pode ser essa. Este mundo está louco! Simplesmente, as pessoas endoideceram. Não há outra explicação. Quem, no seu perfeito juízo, pode achar que os pequenos exemplos que vos deixo nestas breves linhas é de alguém no seu perfeito juízo?

A cidade de Nova York criou em 2017 uma comissão para decidir se a estátua de Colombo deveria ou não continuar no seu lugar. Em 2019, 130 cidades americanas e 8 Estados do país trocaram a festividade do “Dia de Colombo” pela dos “Povos Indígenas”. O antes descobridor da América é agora acusado, 3 séculos depois, de ter escravizado, colonizado, mutilado e massacrado milhares de povos indígenas nas Américas. E não pensem que este movimento revisionista da história se limita às fronteiras das terras do Tio Sam. Lembram-se de uma discussão recente no nosso país, em torno da tentativa de demolição do Padrão dos Descobrimentos, por recusa em reconhecer e aceitar o legado do império ultramarino de Portugal? Ou um senhor que veio propor, há coisa de semanas, a alteração das palavras do hino português por serem demasiado “bélicas”?

Isto de olhar para a história com os olhos de hoje, desconsiderando todos os fenómenos que moldaram essa mesma história e a justificam nos seus tempos e lugares, impossibilita qualquer compreensão da mesma, desde logo porque há hoje determinados valores que estão muito longe de ser os predominantes de então. Mas é o que temos. E temo que, tal como um camião desgovernado ribanceira abaixo, nada vai parar esta (re)visão da história de ganhar contornos ainda mais absurdos! 

Na passada quinta-feira, dia 19 de janeiro, a peça de teatro "Tudo Sobre a Minha Mãe", em cena no Teatro São Luiz em Lisboa, foi interrompida por uma pessoa, uma ativista travesti, que invadiu o palco seminua e gritou "transfake", em referência ao facto de uma das duas personagens “trans” ser interpretada por um ator que não era… travesti! Sim, leram bem! Como se não bastasse esta insanidade, a companhia ‘Teatro do Vão’ anunciou que esta contestação levou a uma mudança no elenco. Ou seja, para não terem problemas (?), integraram na peça uma atriz “trans” para interpretar a tal personagem travesti.

Mas não pensem que este é um exclusivo luso. Já por bandas de Hollywood se fala muito destes movimentos. O “blackface”, o “whitewashing”, a “estereotipização” e a “apropriação cultural”, à boleia dos movimentos antirracistas, são termos que têm vindo a ganhar força e a recrutar apoiantes, de clique em clique, ao ponto de já se colocar em causa a escolha dos atores para papéis, sejam estes sobre personagens fictícias ou reais. Na prática, aos brancos o que é dos brancos, dos hispânicos o que é dos hispânicos, e por aí fora. Estão a ver o filme?

Ainda por cá, como é público, o Governo da República anda com dificuldades em preencher os seus quadros. É que não está nada fácil. É um ministro aqui. Um secretário acolá. Um que se esqueceu que tinha processos ‘chatos’ a correr. Outra que o marido tinha uns problemas em pagar contas. Outra que recebeu uns dinheiritos de um antigo emprego. E porque isto não abona em nada do círculo de amigos do Sr. Primeiro-ministro, vai daí, com toda a pompa e circunstância, um novo formulário para o (agora) candidato a ocupar um assento governativo. São questões sobre as atividades atuais e anteriores, impedimentos e conflitos de interesses, a situação patrimonial e fiscal, e eventuais responsabilidades penais. Parece coisa séria!

Mas o que é que acontece se, por exemplo, o candidato for apanhado a mentir nessa declaração? É demitido? Processado?... "As consequências serão diferentes, depende da informação que não for verdadeira. Não há ninguém que nunca tenha falhado numa destas informações, mas elas também não são todas de igual valor", disse a Sra. ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva. Hã!? Mais: este questionário não será tornado público e não haverá uma equipa para fiscalizar as informações fornecidas, já que é um documento informal que responsabiliza apenas quem o preenche. Ok.

Entenda-se que estas perguntas não trazem nada de novo. Até porque já existe uma declaração desta natureza, obrigatoriamente a preencher por quem irá ocupar cargos políticos e altos cargos públicos, e a entregar ao Tribunal Constitucional, onde só falta mesmo indicar a cor das cuecas. E o mais engraçado é ver tudo o mundo a ignorar esta realidade e a querer dourar esta pílula, com um ‘agora é que vai ser’. Enfim…

No meio desta insanidade, há momentos que nos enchem de esperança na humanidade. O benjamim Marco António, jovem atleta do Juventude AC, atendeu ao funeral da sua mãe de manhã e à tarde foi a jogo com o Nacional para o Torneio Amizade. Se isto já é algo de extraordinário, perto do final do encontro os jogadores alvinegros abriram caminho para a sua baliza, deixando o Marco António marcar o único golo do Juventude no encontro e ainda festejaram todos juntos! Um gesto bonito, que fez jus ao nome do torneio e dá-nos esperança nestes jovens. Um abraço sentido ao Marco António e toda a sua família.