Obrigado professora Elsa

Tenho, por hábito, não vos esconder nada. Muitos de vós merecem-me esse cuidado. Sabem, portanto, o esforço que eu tenho feito para voltar a entregar-me à música. Foi Jazz. Foi RAP. Foi Bossa Nova. Foi até eletrónica tipo buntxi buntxi… Eu sei lá! Foi de tudo e mais alguma coisa.

Não vou dizer que foi fácil. Não foi! Senti suores frios a caminho. Tremores nas pernas à chegada. Palpitações durante os espetáculos. Não tive ataques de pânico por um triz… Mas aguentei-me. Estava feliz por estar a conseguir encarar o meu fantasma.

O meu fantasma que, por acaso, tem um nome! Elsa. Elsa qualquer coisa. Era professora de Educação Musical na Escola da Pena. Há muitos, muitos anos. Pelo menos há 30! Certo dia, estávamos no pátio a fazer uma roda. A dançar para cá e para lá. Qualquer coisa como o bailinho. E, se na altura eu já não me sentia à vontade por ser pesadinho para a idade, pior fiquei quando a fulana se sai com um: “Pedro, pareces mesmo um saco de batatas”. Naquele momento, o som do riso dos colegas sobrepôs-se ao da música e eu engoli em seco. 

Podem, suas excelências, pensar que me ofendi com pouco. Não andarão muito longe da razão. Hoje comparam-me a coisas piores e eu estou a marimbar-me! Mas na altura não. Fiquei traumatizado, pronto. Acontece. Só que, anos mais tarde, já na Bartolomeu, “apanho” a professora Cristina na mesma disciplina. Se a outra tinha sido uma página negra, esta era de todas as cores possíveis e imaginárias. Só tinha um senão. Insistia que eu devia tocar flauta… E eu não gostava de por nada na boca! Tinha esse direito. Dessem-me uma bateria. Um bumbo. Ferrinhos, vá! Tolerante e compreensiva como poucas, “enfiou-me” um xilofone…. Menos mal!

Daí para cá, achei que devia dar uma nova oportunidade à música. A pouco e pouco fui acreditando que a Elsa era apenas uma pequena nota errada e não uma grande pauta como, assumo, cheguei a pensar.

Só que, como vos explicava acima, agora que tentava voltar a dar um ar da minha graça e soltar o pé, eis que surge a notícia de um professor do Conservatório que é acusado de assédio e abuso sexual de menores. Cruzes credo. Só de pensar que, não tivesse eu tido aquela má experiência, podia ser eu… Afinal Nosso Senhor mandou aquela senhora cá baixo por uma razão! Ele nunca me desampara. Obrigado Meu Deus.

É que eu não sei o que seria de mim. Se ia aprender a andar em pontas. Ou se ia acertar contas! Isto, a acreditar no que se diz…. Então não consta que o docente tinha atitudes duvidosas? E não são de agora. Algumas têm já 11 anos. Mas o conservatório o que fez? Limitou-se a ensaiar aquela música do “assobia para o lado”. E a coisa passou. E passou. E passou. Até que, em fevereiro último, ficaram sem fôlego. Porquê? Porque alguém meteu a boca no trombone. Calma, não é nada disso, apresentou queixa na PJ, pronto.

Diz a vítima que recebia mensagens do professor. Uma até comprova que o docente ofereceu um skate ao aluno. Julgou, porventura, que a relação ia sobre rodas… Mas enganou-se! Saiu-lhe o tiro pela culatra. E nem mesmo outra mensagem em que pedia para o rapaz ir à varanda, tantas eram as saudades, se resultou.

Já o senhor? Esse, embora reconheça que se aproximou de um aluno por o considerar bom no que fazia e por achar que este poderia chegar longe como dançarino, devolve as acusações dizendo que o discente devia estar alucinado pois levava droga para a escola e consumia-a. Está o caldo entornado.

Já no Rali Vinho da Madeira, o caldo só não entornou porque o Alexandre ficou calado. Polémicas à parte, está de parabéns. É o primeiro penta. Porém, sou também obrigado a reconhecer que ontem o dia foi de Faial sempre à frente! O Miguel ganhou todas as classificativas do dia. Todas! Mas é que foram todas mesmo. Mais rápido que ele só alguns funcionários públicos… Aqueles que saem às 17h e às 16:30 já estão em casa!

Ps, descansa em paz Jô. Por mim ia outro Soares, mas não sou eu quem escolhe. Deus tem prioridade! Apresenta-se sempre pela direita. Se bem que não parece…