Esperança na ciência farmacêutica

O Novo Ano inicia-se sob a égide da Esperança.

O Mundo que conhecíamos mudou drasticamente, a vida diária de repetição, os nossos hábitos foram-nos sonegados por um ser invisível. O medo do desconhecido, a perda de futuro imaginado, os sonhos colocados em espera, o reencontro com a nossa finitude, são as realidades do agora, que se esperam ver esfumadas neste novo ano de 2021. Esta Esperança não é ingénua, é consubstanciada em rigor científico, resulta da fina arte da ciência farmacêutica, que dá ao mundo provas da sua relevância. Uma vacina em tempo recorde, para os padrões recentes de aprovação de um fármaco, e que estou certo demonstrarão a necessidade inequívoca de actualização de padrões consentâneos com a realidade da ciência farmacêutica actual. A ciência farmacêutica em 9 meses coloca em mercado um medicamento (3 dentro em breve) com qualidade, segurança e eficácia e acima de tudo devolve Esperança à humanidade.

Esta vacina aprovada, Comirnaty®, já administrada em todo o território português, é uma Vacina RNA mensageiro incorporado em nanopartículas lipídicas, esta é uma nova abordagem para uma vacina, logo convém esclarecer sobre as suas vicissitudes. O seu funcionamento é verdadeiramente simples, o vírus SARS-COV-2 apresenta uma proteína S (spike) na sua superfície, a qual o vírus utiliza para ligar-se e entrar nas células hospedeiras, tornando a proteína S um alvo preferencial pois a acção dos anticorpos impedirá a sua ligação e entrada nas células hospedeiras. Verificou-se a porção de RNA mensageiro que codifica para a proteína S, foi-lhe conferida estabilidade com as nanopartículas lipídicas por forma a entrar nas células hospedeiras, e no seu citoplasma utilizar a maquinaria celular do hospedeiro, e promover o processo de transcrição (produção da proteína S, neste caso), a proteína depois de produzida por ser estranha ao organismo vai gerar uma resposta imunitária, com os anticorpos a reconhecerem-na, e temos uma vacina segura, de qualidade e com eficácia. As preocupações lícitas que decorrem desta nova vacina, são então o grau de imunidade, e a sua duração, e obviamente os seus efeitos secundários que neste momento em sede de RCM estão reconhecidos sendo de destacar, cefaleias, artralgia, mialgia, dor no local de injecção, fadiga, arrepios, pirexia, e tumefação no local de injecção. Quanto às questões levantadas pelos menos informados aqui vão as respostas de forma telegráfica, a vacina vai alterar o DNA (esta resposta pode ser dada por qualquer estudante de biologia do secundário) obviamente não, o DNA encontra-se no núcleo, RNA mensageiro no citoplasma e não consegue entrar no núcleo, mais para transformarmos uma molécula de RNA em DNA precisaríamos de uma transcriptase reversa que não existe no ser humano nem no SARS-COV-2, mais, a questão desta informação genética perdurar para as gerações futuras é de todo impossível pois o RNA mensageiro tem uma vida curta, de poucas horas, outra questão levantada é a genotoxicidade/carcinogenicidade (RNA mensageiro e lípidos não apresentam este potencial), e quanto à fertilidade os estudos de toxicidade reprodutiva indicam que “Não houve efeitos relacionados com a vacinação na fertilidade feminina, na gravidez, ou no desenvolvimento embrionário-fetal…” fonte RCM.

Não obstante tal arma terapêutica, o vírus está aí, continua a propagar-se, até conseguirmos atingir níveis de cobertura vacinal elevados, temos de manter a guarda alta! Manter o distanciamento físico, redução dos nossos contactos sociais/físicos é fundamental, higiene de mãos, etiqueta respiratória e uso de máscara.

A fina Arte da Ciência Farmacêutica uma vez mais, deu a resposta que a Humanidade necessitava!