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Artigo de Opinião

8/07/2024 07:30

Se o mês de agosto é para muitos, sinónimo de férias, para alguns significa mudanças, que marcam uma vida. Agosto de 2003 foi um rodopio para um jovem de 18 anos, natural da Madeira, que nem há um ano havia cumprido um dos seus primeiros sonhos, ser futebolista profissional.

A 6 de agosto de 2003, o Sporting inaugurava novo Estádio José Alvalade e recebia o Manchester United de Alex Ferguson. A história é a de um jovem que impressionou tanto o treinador escocês que, poucos dias depois, o clube inglês desembolsava 15 milhões de euros para levar o Cristiano para terras de Sua Majestade. A 16 de agosto, fazia a sua estreia em Old Trafford, imediatamente deliciando o público inglês.

Quatro dias depois, pela mão de Luíz Filipe Scolari, o Cristiano faz a sua estreia pela seleção de Portugal. E não podia haver jogo mais cinzento e esquecível para tal acontecer. Um amigável, numa quarta-feira à noite, em Trás-os-Montes, no Estádio Municipal de Chaves, frente ao Cazaquistão. Um jogo que é apenas lembrado por ser a estreia daquele que viria a escrever as páginas mais douradas de um futebolista português e que marcou as gerações que se seguiram.

Mas há um antes deste jogo. Olhemos para os números. Antes do dia 20/08/2003, a seleção nacional tinha realizado 501 jogos oficiais, registando 193 vitórias, 139 empates e 169 derrotas. Estatisticamente, Portugal apenas venceu 39% dos jogos que disputou até então, perdendo 34% dos restantes. Se considerarmos apenas o período anterior à década de 90 (o da geração dourada), Portugal somava mais derrotas que vitórias no todo disputado (121 contra 120).

Com a geração dourada veio a primeira grande mudança no futebol português. Jogadores como Luís Figo, Rui Costa, João Pinto e Vitor Baia, pavimentaram o caminho para o sucesso contínuo do futebol português, inspirando futuras gerações de jogadores e ajudando a estabelecer Portugal como uma força respeitável no futebol mundial. Os seus números assim o demonstram. Entre 1991 e 2003, a seleção disputou 162 jogos, vencendo 73, empatando 41 e perdendo 48. Todos os rácios melhoraram, com Portugal a vencer 45% dos seus jogos e perdendo apenas 30%.

Desde então, e nos quase 21 anos que se seguiram, a seleção de todos nós ficou marcada pelo Cristiano. Que falem os números. Entre 20 de agosto de 2003 e este jogo frente à França, Portugal disputou 257 jogos. Destes venceu 149, empatou 61 e perdeu 47 vezes. É uma taxa de sucesso de 58%, contra apenas um registo de 18% de derrotas. Destes jogos, o Cristiano participou em 212, falhando apenas 45 partidas em 20 anos. Com ele a seleção venceu 60% dos jogos que disputou (128v) e perdeu apenas 16% dos encontros (35 d). São factos que demonstram bem o que mudou na nossa seleção com o Cristiano Ronaldo.

Mas não são apenas números. São também os títulos. Depois da final falhada em 2004, veio o título europeu, em 2016, em Paris, frente à França. Em 2018, Portugal venceu a primeira edição da Liga das Nações. Os dois únicos triunfos da seleção nacional sénior.

Mas isto é a consequência. A razão é a mentalidade que o Cristiano trouxe ao futebol português. Foram as suas especiais características que trouxeram outra dimensão ao futebol nacional e aos jogadores que foram forjados no seu exemplo. A extrema determinação e ambição, a autoconfiança, o trabalho árduo e a disciplina que impõe todos os dias, a sua resiliência e capacidade de superação a todo e qualquer desafio, somaram a uma enorme vontade de vencer e de ser o melhor entre os melhores. Esta mentalidade ganhadora contagiou o futebol luso, dando vaga às gerações que hoje jogam e vencem no mais alto patamar do futebol internacional. Dos jogadores aos treinadores, do staff aos gestores, todos ‘beberam’ desta influência única, que transformou o futebol português.

Mas todos nós temos o nosso ocaso. Assistimos hoje, ao final da carreira do maior jogador português de todos os tempos. De um astro à escala global. Daquele que se escreverá muito depois deste tempo. Que sejamos respeitosos e orgulhosos. O maior legado do Cristiano Ronaldo não é o que ele venceu, os seus números e recordes. É a crença que fez nascer em todos nós: que podemos vencer!

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