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Artigo de Opinião

9/03/2023 08:00

Se consultarmos o site infopedia.pt, por exemplo, feminismo é uma "doutrina que advoga a defesa dos direitos das mulheres, com base no princípio da igualdade de direitos e de oportunidades entre os sexos".

Ora, é precisamente aquilo que todos deveríamos querer: igualdade de direitos, igualdade de oportunidades.

Penso que até aqui, estamos todos de acordo.

O problema - o verdadeiro e real problema - é aquilo em que algumas pessoas tornaram o feminismo.

A luta das mulheres, ao longo dos anos, tem sido, mais do que totalmente justa, absolutamente necessária. Mas a luta pela igualdade dos direitos das mulheres, que mais não é senão a luta pela igualdade de direitos humanos (direitos que são de todos), não pode ficar refém de egos, de ideologias, de grupos e grupinhos. Sou mulher e não aceito que tenham reduzido esta "doutrina" a isto.

O feminismo tem de servir as mulheres, não pode servir ideologias. O feminismo tem de elevar a mulher ao mesmo patamar que o homem (se assim entenderem), mas não o pode afastar desta caminhada. A sociedade é feita da multiplicidade. A vitória das mulheres tem de ser uma vitória de todos, não pode ser uma festa cor de rosa. A mulher não pode ser usada para aquilo que se considera, já, "feminismo de caviar" (Carona, 2022).

Não aceito. Não aceitem.

Não coloco em causa, sequer, os mil e um argumentos usados. Nem vou falar da linguagem inclusiva, essa prioridade avassaladora, que tentam incutir em todo o lado.

Deixo só, principalmente para quem nos quer a obrigar a falar e a escrever uma linguagem neutra, algumas notas, já por outros escritas, já por outros alertadas, mas que merecerão, sempre, a nossa revolta e a nossa indignação enquanto existirem. E, mais, merecem a atenção e o trabalho de todos.

Só metade dos países do mundo tem escola primária. Centro e trinta milhões de meninas não vão à escola. Duzentos milhões de meninas já foram mutiladas e sobreviveram. Doze milhões de raparigas casam, obrigadas, antes dos 18 anos, todos os anos. No Paquistão, por exemplo, as mulheres não votam por medo. No nosso país, também existem desigualdades, problemas, medos. Também há violência, desigualdade salarial, disparidade de oportunidades. Ou seja, há tanto por fazer por nós, mulheres, mães, trabalhadoras, sonhadoras.

Um dado curioso, que vos gostaria de deixar, de países considerados desenvolvidos, em dois continentes diferentes, e mesmo com a existência de tantos movimentos, é o de que somente "uma em cada cinco mulheres se declara feminista" nos Estados Unidos e no Reino Unido. E sabem porquê? Porque a maioria não se identifica com o termo, apesar de entender que a igualdade ainda não foi atingida.

Pensemos nesse exemplo e caminhemos todos.

A mulher só será o que ela quiser, onde quiser, com quem quiser, quando todos entendermos que o caminho se faz lado a lado. Sem discriminações, sem grupinhos, sem partidarites e egos, sem inimigos arranjados para sustentar ideias bacocas.

Sou feminista e não aceito que nos reduzam ou que nos limitem. Não aceitem também.

A nobre causa que é o feminismo não tem donos, não é refém, não pode sustentar rótulos, não pode aceitar preconceitos ou reafirmar estereótipos. O feminismo procura o que todos devemos querer - a igualdade de oportunidades. Apenas e só.

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