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Artigo de Opinião

16/01/2021 08:00

Pois bem, esse dia finalmente chegou, ou pelo menos, todos os portugueses têm nestas Presidenciais de 2021, uma oportunidade de se sentirem um pouco como o povo americano, ou pelo menos do que foi ser eleitor americano em 2020. Olhe com atenção para a lista portuguesa de candidatos. Melhor que escolher entre Donald Trump e Joe Biden?

André Ventura é o candidato da tasca. É aquele indivíduo que se senta ao fundo do bar, sozinho e que vai mandando umas larachas desprovidas de sentido. Entre um copo e outro, promete uma mão na cara a meia tasca, discute se o lance era penalti, expulsa a mesa do lado, cuja etnia não aprecia e promete umas castrações aqui e ali, só para mostrar o mauzão que é. Mais do que se entreter a discutir se o bar tem direito à admissibilidade, e que CHEGA do discurso xenófobo, extremista e contraditório, é preciso saber desconstruir a mensagem, e deixem que vos diga que não há nada mais fácil que mostrar as contradições e mentiras de André Ventura. Ventura diz não ser o Presidente de todos os portugueses. Eu acrescentaria que Ventura não só não será Presidente de todos os portugueses, como não será Presidente de nenhum português, e isso é uma felicidade para qualquer democrata. Uma rodada!

De um extremo do populismo para o outro extremo, temos a candidata do Bloco de Esquerda, Marisa Matias. Eu, pessoalmente, nunca espero grande coisa vinda da extrema esquerda, no entanto pelo percurso da candidata, o mínimo seria um discurso mais evoluído, menos preso a contradições e menos obcecado por Passos Coelho. Garantiram-me ter vindo à Madeira de propósito para andar nos carros de cesto do Monte, mas a estrada está em péssimo estado. Bloquista de gema que é, Marisa organizou logo uma MANIF às portas da Câmara Municipal do Funchal a exigir melhores condições de trabalho para os Carreiros do Monte e foi recebida pelo Mayor, que tinha acabado de enviar novo email a Boris a indagar se recebeu o primeiro. À saída, Marisa tropeçou no tapete vermelho que lhe estenderam para garantir apoios nas autárquicas de 2021, fez entorse e exigiu ser atendida numa clínica privada.

Uma grande surpresa foi o Herman José decidir candidatar-se. Não estava mesmo nada à espera. Força, Herman!

João Ferreira? Toda a aparência do candidato destoa do discurso. A única maneira de se ponderar votar em João Ferreira seria ouvir o seu discurso em mute. Palavras loucas, orelhas moucas. Arrisco-me também, e neste caso em específico, a recomendar aquele efeito secundário da COVID-19, sabe? A perda do olfacto. O cheiro a naftalina do discurso é insuportável. Condenação do sector privado à morte. Nacionalização do País de uma ponta à outra. Férias para todos, sistema de tudo incluído, em paraísos comunistas, ou seja, viagem só de ida para a Coreia do Norte ou a Venezuela. O eleitor escolhe.

Vitorino Silva, o ex-autarca de Rans, o ex-Big Brother e ex-hipnotizador de galinhas*. Tino, como carinhosamente gosta que o tratem, não será certamente o Presidente de todos os portugueses mas será coroado, sem qualquer sombra de dúvida, o Rei das Analogias. Das sementes às pedras coloridas tudo serviu para munir o candidato na fuga às perguntas dos jornalistas. Podia sentar-se na mesma tasca de Ventura, ao balcão, a tocar acordeão e a cantar analogias ao despique.

Em tom monocórdico, chega-nos Tiago Mayan Gonçalves. O candidato pela Iniciativa Liberal, será provavelmente o menos político de todos os anteriores e o mais verde nestas andanças. A falta de experiência foi notória nos primeiros debates, nos quais explicar as ideias mais marcantes dos liberais, em termos económicos e políticas de saúde, foi um exercício excruciante para o candidato. A falta de firmeza sugeria a quem o ouvia, que tudo se resumia a uma grande utopia. Se calhar falta a Tiago Mayan um pouco de Tino. Tiago é aquele candidato que quer que um português possa escolher se toma uma poncha na tasca, com o chão coberto de cascas de amendoim ou no rooftop do Savoy.

Por fim, temos o candidato Marcelo Rebelo de Sousa, aquela grande promessa para a República Portuguesa que desiludiu. O Presidente Marcelo, desiludiu cada vez que nos falhou quando o País precisou dele. Marcelo acumulou as funções de Presidente e de candidato, e quis agradar a todos, da direita à esquerda. Até nos testes Covid-19 Marcelo quis agradar a todos, positivo, negativo, positivo, negativo, o eleitor escolhe. Tancos. SEF. Tribunal de Contas. No entanto, vou procurar esquecer-me que este candidato, enquanto Presidente, disse-nos que devíamos estar agradecidos a Mário Centeno, fechar os olhos e tentar acertar com a cruz no seu quadrado. Isso, ou então, vou experimentar, a tal poncha no rooftop.


*À hora de entrega deste artigo não existia confirmação sobre se Vitorino Silva ainda exerce a actividade de hipnotizador de galinhas. Também não há informação sobre o estado psicológico das galinhas anteriormente hipnotizadas. .

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