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Artigo de Opinião

Farmacêutico Especialista

29/05/2024 07:30

A música “Once in a Lifetime” dos Talking Heads, liderada magistralmente por David Byrne, aqui acompanhado por outra referência do mundo musical, Brian Eno, indubitavelmente dois dos grandes génios musicais do séc. XX, conduzem-nos numa introspeção que recai sobre a vida e a existência através da fluidez do tempo.

É interessante apercebermo-nos da intemporalidade da mensagem, a Vida e a sua inevitabilidade, o caminho trilhado que nos transportou ao presente, o peso da vontade e motivação nesse caminho, por outro lado a questão marcadamente fatalista sobre se a passividade ou não perante a Vida poderia levar a um percurso diferente, a existência de um determinismo cego, ou de um caminho em construção contínua, conscientes que o factor tempo é imparável, e que a cada momento são realizadas escolhas (ou por nós ou por outros), que levam a destinos diferentes e como tal, o questionar sobre o momento actual e se esse corresponderia à vida idealizada ou à rejeição da mesma. É de uma beleza e profundidade esta reflexão vivencial, que pode ser observada no individual, mas também no colectivo, numa observação maior.

Observando o Mundo e concretizando o paralelismo, “Como chegamos aqui?” a esta miríade de presentes, de realidades num Mundo a tantas velocidades diferentes, tantos percursos, tantos caminhos, tantos objectivos, tantas vidas?

Numa das muitas tiradas de génio, o agora eterno Paul Auster, coloca uma questão tão pertinente:

“Se a morte está em toda a parte, que diferença é que faz o sítio para onde se vai?”

Não tendo o alcance, nem a sua pretensão ou capacidade, julgo na mais modesta e provavelmente néscia opinião, que a diferença está no caminho que construímos, e que o mesmo deverá ser consubstanciado em Amor, a diferença reside no quanto conseguimos permanecer por quem passamos, não enquanto necessidade de memória ou perpetuação, mas enquanto vontade interior para reconduzir o Bem ao Mundo, uma vida em Virtude.

A diferença está, não no sítio físico, mas sim no lugar mental, aí faz toda a diferença, um caminho do Bem, de Paz, de Amor pode conduzir à eternidade!

Só nós eternizamos no Amor, na marca positiva que deixamos nos outros, no sorriso de uma memória, num momento de partilha, no fruir da efemeridade da felicidade, aí somos eternos!

Não há destino, não há caminho que possa ser trilhado sem Amor, a sua ausência leva-nos para o nada, para a existência vazia, menos que animal, controlada por vícios e paixões, desejos, necessidades e seu cumprimento, para o egoísmo e acima de tudo solidão! Problema para o qual estamos sensibilizados, mas ainda não conseguimos perceber em sociedade que a solução é Amor.

Pois como diz João Gilberto de forma magistral em Wave “não é possível ser feliz sozinho”.

Existe só um Mundo, e o nosso desígnio é maior, ter um mundo a velocidades diferentes não pode ser um determinismo de fracasso da sociedade, mas a aceitação da grandiosidade do ser humano e sua capacidade de adaptação com a miríade de caminhos apresentados, aí não reside problema nenhum, é riqueza, é reconhecimento desta obra magnífica que é a Vida, deste mistério maravilhoso que é a existência! Problema é não viver o Amor, não conseguir amar ao próximo como a nós mesmos, não permitir a natural tendência do espírito para fazer o bem, não trilhar um caminho de verdade, não renunciar espontaneamente à conveniência própria em prol de todos, esse é o grande sofisma existencial.

Se as realidades actuais no Mundo são diferentes, o primeiro passo é respeitá-las, dar o necessário espaço e condição para o seu caminho, pois tal como cada ser Humano trilha o seu caminho, as sociedades também devem ter a oportunidade de fazê-lo. Ajudemos aqueles que com mais dificuldade e necessidade possam estar a vivenciar a realidade atual, mas sem impor as nossas verdades. O Mundo não é nem será um espaço de iguais, aí perder-se-ia a beleza dos habitantes deste planeta, é sim um Mundo de justiça e de respeito, em que os seres Humanos devem todos, ser tratados de forma equitativa, com respeito aos seus credos, tradições, cultura, e reconhecimento da igualdade de direitos e de deveres na diferença.

Todos diferentes, Todos iguais.

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