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Artigo de Opinião

Advogada

1/11/2023 08:00

A verdade é que o conflito teima em não terminar e todos, todos, encontram motivação para detonar a raiva, o ódio considerando que a vida de uns é superior à vida dos outros.

A vida é inviolável e não admite valorização ou desvalorização, por virtude do local de nacimento.

Não se julgue que o que acontece no conflito Israel-Palestina não nos afeta!

Claro que nos afeta, sobretudo na intolerância, na incapacidade para dialogar e na motivação para impor as nossas ideias com a aplicação da máxima de que os fins justificam, sempre, os meios. Vejamos que qualquer que seja o lado do conflito há, sempre, uma elite que nunca erra e os outros são, sempre, uma "gente" que se comporta de modo animalesco e que urge liquidar.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, ousou afirmar que os ataques do Hamas contra Israel a 7 de outubro "não aconteceram do nada", tendo argumentado (ainda que olvidado por muitos) que "o sofrimento do povo palestiniano não pode justificar os terríveis ataques do Hamas" e que "esses ataques não podem justificar a punição coletiva do povo palestiniano".

Com tais declarações alcança-se que o ódio gera ódio e que a guerra matará, sobretudo, milhares de palestinianos e israelitas inocentes e é isso que se pretende que não aconteça.

Os israelitas não são Benjamin Netanyahu e os palestinianos não são o Hamas. Pensar que aquelas realidades se confundem é "perpetuar o ódio até ao infinito".

Nunca se olvide que a paz está confiada a cada um de nós, a cada um dos líderes mundiais, e que a guerra "semeia a morte … apaga o futuro", causando insuportáveis sofrimentos, principalmente, repito, o de pessoas tão inocentes.

Não seria possível construir pontes, estabelecer equilíbrios para evitar tamanha mortandade?

Continuo a acreditar, a ter a firme esperança, que tal possa acontecer, não obstante a tamanha intolerância a que vamos assistindo e em que já ninguém parece ter a habilidade para conversar e lobrigar que a vida de uma pessoa não é mais descartável que a vida do outro.

Conversar, discutir sem atropelos, nem ideias preconcebidas ou preconceitos é tão, tão importante para se progredir, para se alcançar a solução mais adequada. Mas parece que até esta tónica se vai perdendo nos debates parlamentares, no seio da política, também nas escolas e em vários meios sociais em que nos vamos encontrando.

Por vezes parece que mudar de opinião ou afirmar algo que pode não ser o desejado pelo outro é tido como sinal de fraqueza ou de ignorância. Engana-se quem assim pensa, pois "só não muda de opinião a pessoa que não tem capacidade, nem abertura para entender ou aceitar argumentos alheios e isso denota uma profunda falta de humildade".

David Ben-Gurion, fundador de Israel, e que proclamou a independência do Estado de Israel a 14 de maio de 1948 estabeleceu um refúgio para os judeus que fugiam à perseguição e procuravam uma pátria num território por eles muito amado. E com a criação de Israel os palestinianos iniciaram uma guerra contra os seus vizinhos que parece não ter fim.

Rogo, neste dia da Solenidade de Todos os Santos, para que o direito internacional humanitário proteja todos os que sofrem pela resposta militar de Israel em Gaza, bem como para que proteja os 230 reféns raptados pelo Hamas e auxilie o povo ucraniano. Continuo a sonhar e a acreditar com um mundo mais pacificado que será o berço das gerações futuras.

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