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União Europeia reconhece défice de 160 mil milhões de euros em investimento militar

JM-Madeira

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Data de publicação
17 Maio 2022
18:29

Os países da União Europeia (UE) acumularam em nove anos, desde 2009, um défice de 160 mil milhões de euros em investimento militar, informou hoje o Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell.

"Tem sido um processo silencioso de desarmamento que tem atravessado todos os países", afirmou Borrell numa conferência de imprensa, no fim do Conselho de Ministros da Defesa da União Europeia, durante o qual se abordou um relatório sobre as carências militares da UE e se alertou para a necessidade a curto prazo de repor o stock antes da "chamada de atenção" da guerra da Ucrânia.

Os ministros, que antes do conselho participaram numa reunião da Agência Europeia de Defesa (AED), avaliaram o relatório preparado por Borrell, juntamente com a AED e a Comissão Europeia, sobre as necessidades da indústria militar da Europa.

O documento, solicitado pelos líderes da UE na reunião informal em Versalhes, deverá ser aprovado esta quarta-feira pelo colégio de comissários europeus e discutido pelos próprios chefes de Estado e de Governo, na sua cimeira extraordinária de 30-31 de maio em Bruxelas.

"É preciso gastar mais e mais juntos", defendeu Borrell, referindo-se à importância de investir conjuntamente para evitar excessos de material, tendo em conta o novo estudo que mostra, afirmou, "o que temos e o que devemos ter".

"Se tivéssemos gastado todos os anos desde 2009 até 2018 a mesma quantidade de dinheiro na defesa que gastámos em 2009, teríamos gastado mais 160 mil milhões na defesa", disse o político espanhol.

O chefe da diplomacia europeia afirmou que os países da UE estão atualmente ao nível de 2008, mas "somando todas as carências acumuladas relativamente a 2009, perfazem 160 mil milhões".

Segundo Borrell, esta despesa militar menor permitiu que houvesse "mais dinheiro disponível para outros fins".

Mas, avisou: "Estamos agora a enfrentar as consequências desta escassez acumulada e temos de recuperar estas dinâmicas. Como recuperar é a grande questão", acrescentou.

Especificamente, Borrell afirmou que a curto prazo será necessário reabastecer os stocks militares, a médio prazo, aumentar as capacidades existentes, e a longo prazo, reforçá-las e modernizá-las.

"Isto vai ser uma grande tarefa e uma grande oportunidade também para a nossa indústria", disse.

Para o alto representante da UE, a invasão russa da Ucrânia fez soar o alarme, "deixando claro" que é preciso "preencher estas lacunas e aumentar as capacidades de defesa" da UE.

LUSA

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