A delegação de deputados portugueses que esteve em Taiwan está de regresso, após uma visita de seis dias em que constatou a "normalidade da vida na ilha", apesar do clima de tensão criado pelas ameaças de intervenção chinesa.
"Fazemos um balanço positivo. A expectativa era alta e foi superada. Regressamos mais descansados, depois de constatar que, apesar da tensão política, a vida aqui decorre com total normalidade", disse à agência Lusa Paulo Rios de Oliveira, chefe da delegação de sete deputados portugueses que hoje partiu de regresso de Taiwan, após uma visita a título pessoal e com autorização da Assembleia da República.
"Tivemos uma agenda muito preenchida. Falámos com muitas pessoas, visitámos muitas instituições e pudemos constatar um clima de total tranquilidade", assegurou o deputado, acrescentando que esse ambiente de normalidade se estende à comunidade portuguesa que vive na ilha.
A China considera Taiwan uma província que faz parte do seu território e que pretende recuperar a qualquer momento, sem descartar o uso da força para tomar a ilha, que tem Washington como seu principal aliado.
Nas últimas semanas, a China dramatizou o discurso sobre a necessidade de recuperar a ilha para o seu território e criticou severamente a forma como o Ocidente se posiciona perante esta questão, retaliando com manobras militares, por via aérea e marítima, que se intensificaram.
Para a delegação de deputados portugueses que hoje abandonou Taiwan, nada deste ambiente de tensão passa para a sociedade na ilha, cujas instituições, empresas e famílias vivem em total normalidade.
"No contacto com empresas e pessoas não se sente qualquer forma de preocupação com a posição da China", relatou à Lusa Carlos Eduardo Reis, outro dos deputados da delegação, que sai da ilha com o sentimento de que a presença de parlamentares aliados é importante para as autoridades locais.
Paulo Rios de Oliveira desvalorizou ainda o impacto de recentes declarações do Presidente francês, Emmanuel Macron, sobre o conflito entre a China e Taiwan.
Durante uma viagem a Pequim, Macron defendeu que a União Europeia deve ter uma posição própria sobre o conflito que opõe Taiwan às autoridades de Pequim, demarcada do posicionamento dos Estados Unidos.
"Esta questão foi esclarecida e não constitui qualquer problema para as autoridades de Taiwan", disse o deputado português, lembrando que os aliados europeus, incluindo Portugal, foram sempre claros sobre o seu posicionamento face à autonomia de Taiwan perante Pequim.
"Na minha vida parlamentar, nunca como aqui e agora me senti tanto do lado certo da História", concluiu Paulo Rios de Oliveira.
A delegação parlamentar portuguesa foi recebida pelo vice-presidente de Taiwan, Lai Ching-te, que salientou a importância política da visita, neste particular momento da vida da ilha.
Citado pelo jornal Taiwan Today, Lai lembrou que os dois países "partilham os mesmos valores" e o mesmo trajeto, tendo ambos "transitado de um regime autoritário para um regime democrático".
A delegação parlamentar portuguesa foi composta por quatro deputados do PSD (Paulo Rios de Oliveira, João Moura, Carlos Eduardo Reis e Helga Correia) e três do PS (João Castro, Norberto Patinho e Vera Braz).
No final da Segunda Guerra Mundial, Taiwan integrou a República da China, sob o governo nacionalista de Chiang Kai-shek.
Após a derrota contra o Partido Comunista, na guerra civil chinesa, em 1949, o Governo nacionalista refugiou-se na ilha, que mantém, até hoje, o nome oficial de República da China, em contraposição com a República Popular da China, no continente chinês, comunista.
O território realizou reformas democráticas nos anos 1990 e é hoje uma das mais vibrantes democracias no leste da Ásia.
Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso Taipé declare formalmente a independência.
Lusa