A Sonae investiu mais de 6.000 milhões de euros nos últimos cinco anos, dos quais 1.100 milhões em 2025, ano em que as compras a fornecedores nacionais cresceram 21% para 7.549 milhões, anunciou hoje a presidente executiva (CEO).
Falando durante a apresentação das contas de 2025 do grupo, na Maia (Porto), Cláudia Azevedo destacou ainda os 1.169 milhões de euros pagos no exercício passado em salários e prémios aos trabalhadores, um aumento de 12% face ao ano anterior, os 115 milhões de euros pagos aos acionistas (mais 5%) e os 334 milhões de euros liquidados em impostos (mais 23% em termos homólogos).
Num contexto internacional que começou por descrever como “particularmente desafiante”, para logo acrescentar que foi “muito mais do que isso”, a CEO destacou o “ritmo acelerado” de crescimento consolidado no ano passado, em que o volume de negócios aumentou 14% para o máximo histórico de 11.400 milhões de euros e o resultado líquido atribuível aos acionistas subiu 11% para 247 milhões.
Já o administrador financeiro (CFO) da Sonae, João Dolores, salientou ter sido um “ano marcante do ponto de vista de valorização do portefólio” do grupo, que cresceu 15% e atingiu “o marco histórico” de 5.100 milhões de euros.
O CFO apontou ainda o máximo histórico da cotação das ações do grupo, considerando, contudo, que “existe ainda muito potencial de valorização”, estando o título da Sonae “ainda a uma distância significativa do valor intrínseco do portefólio”.
Relativamente aos planos de expansão da MC (retalho alimentar), que em 2025 contribuiu com 955 milhões de euros para o EBITDA (resultados antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) consolidado de 1.200 milhões de euros do grupo Sonae, João Dolores disse que se mantém a estratégia de continuar a abrir lojas de proximidade e conveniência, a um ritmo médio de 20 unidades por ano.
“Este ano até abrimos menos do que queríamos, porque tivemos alguma dificuldade do ponto de vista de licenciamentos. Mas mantemos esse plano de abrir, nos próximos anos, cerca de 20 lojas por ano em formato de conveniência e proximidade”, referiu.
No que diz respeito à Sierra, especializada na gestão e desenvolvimento de centros comerciais, o administrador financeiro da Sonae disse que, embora mantendo o “foco original” nesta área, a multinacional tem também atualmente “um foco muito grande no ‘living’ (habitação), nas suas várias dimensões”, nomeadamente no ‘build to rent’ (construir para arrendar).
“O ‘build to rent’ é claramente uma das prioridades da Sierra neste momento e temos vários projetos em curso nessa área, sobretudo na Ibéria”, referiu, avançando estarem em curso três projetos (um dos quais no Porto e outro em Madrid), num investimento total de 100 milhões de euros.
Neste âmbito, considerou que o imobiliário, sobretudo em Portugal e na Ibéria, “continua a ser um setor bastante atrativo”, com “muitos fluxos de investimento nacional e internacional a serem direcionados quer para o imobiliário comercial, quer residencial”, pelo que a Sonae continua “bastante otimista em relação ao potencial de se continuarem a fazer novos projetos”, sobretudo nos mercados onde já está presente.
Já sobre a continuidade da marca de moda Salsa no universo Sonae, depois de, no verão do ano passado, o grupo ter concluído a venda da Zippy e da MO à Fashion Division (um consórcio liderado por Francisco Pimentel, CEO da MO, e pelo Fundo Mercúrio, gerido pela Oxy Capital), João Dolores considerou que é “uma história diferente”.
“A Salsa teve um ano muito bom em 2025, cresceu 10%, melhorou a sua rentabilidade, o seu perfil e a sua proposta de valor. Estamos muito satisfeitos com o seu desempenho e queremos continuar a dar condições à Salsa para continuar a crescer dentro do nosso portfólio”, sustentou.