Apesar de o voto não ser obrigatório e de toda a fragmentação política que carateriza estas eleições para eleger o Presidente da República, a afluência às urnas na África do Sul tem sido positiva.
As vastas instalações consulares no período da manhã revelaram-se exíguas para comportar o afluxo de eleitores que ali se dirigiram para exercer o seu direito de voto.
A área consular de Joanesburgo tem uma superfície equivalente a cinco vezes e meia o tamanho de Portugal continental e suas e regiões autónomas, o que faz com que muitos portugueses e lusodescendentes não se desloquem para exercer o direito de voto devido às grandes distâncias que têm forçosamente de percorrer.
Além disso, o défice de informação de Portugal na África do Sul é flagrante, o único hebdomadário que existia, O Século de Joanesburgo, cessou a sua publicação e os programas de rádio igualmente. Existe apenas um jornal comunitário publicado mensalmente, Voz Portuguesa, cujo título não faz jus ao seu nome e pública cerca de 6.000 exemplares para várias cidades do país.
Não é compreensível que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) não providencie a colocação de Assembleias de Voto em diferentes cidades do país, onde existem mais aglomerados de emigrantes portugueses ou lusodescendentes, como nos locais onde, anualmente, são levadas a efeito e com sucesso ‘Presenças Consulares’ tais como, Gaborone, Rustenburg, Nelspruit, Bloemfontein, Witbank (eMalahleni), Klerksdorp, New Castle. Lady Smith, Nelspruit (Mbombela) Polokwane e Bloemfontein.
Rosa Maria Jardim, que vive e trabalha em Bloemfontein, disse há poucos minutos ao JM que tem muita pena, não se deslocou a Joanesburgo para exercer o seu direito de voto porque a distância da sua residência às instalações consulares em Joanesburgo é de 396 quilómetros, cerca de 4 horas e 9 minutos de viagem num só sentido, o que terá de perfazer um total de 792 quilómetros e fazer face a despesas com portagens e combustível, um equivalente a cerca de 110 euros.
Lamentavelmente, apesar de várias sugestões ou conselhos para minimizar este sistema que há muito tropeçou e está efetivamente deteriorado que se protela há demasiado tempo sem uma solução plausível e se tornou desde há muitos anos um fator de ação discriminatória para a diáspora na África do Sul e não refletir com fidelidade a vontade dessa diáspora que se sente atraiçoada.