ONG venezuelanas denunciam “investida” contra ativistas e sindicalistas

Lusa

A plataforma Alerta Venezuela, que agrupa cinco Organizações Não Governamentais (ONG) do país caribenho, denunciou hoje uma “nova investida” contra ativistas de direitos humanos, trabalhadores humanitários e sindicalistas.

“Nos primeiros dias de julho ocorreram diversas detenções por parte do regime de Nicolás Maduro contra dirigentes sindicais, defensores dos direitos humanos e seus familiares, onde se incluem Alcides Bracho, Alonso Meléndez, Emilio Negrín, Gabriel Blanco, Reynaldo Cortés, Néstor Astudillo e Yeny Pérez", assinalou a organização em comunicado.

A plataforma, que integra as ONG Acceso a la Justicia, Centro de Derechos Humanos de la Universidad Católica Andrés Bello, Civilis Derechos Humanos, Coalición de Organizaciones por el Derecho a la Salud y la Vida (Codevida) e Espacio Público, indicou que estas “detenções arbitrárias” representam “outro ataque” à liberdade sindical e às organizações civis.

Este coletivo assinalou que todos os detidos exerceram atividade sindical em diversas regiões do país e que Gabriel Blanco desempenha atualmente as funções de “trabalhador humanitário”.

“Na Venezuela, foram documentados inúmeros casos de violações dos direitos laborais, como despedimentos injustificados, detenções arbitrárias, retenções ilegais de salários, proibição de frequentar o local de trabalho, seja por exercer a atividade sindical, por motivos políticos ou por exigir o cumprimento das garantias laborais”, acrescentou.

Gabriel Blanco e Nestor Astudillo foram acusados dos delitos de associação de contornos ilegais e conspirativos, informou no sábado a ONG Coalición por los Derechos Humanos y la Democracia.

Na passada quinta-feira, a ONG venezuelana Provea denunciou que o Governo do Presidente Nicolás Maduro “insiste em criminalizar os direitos de livre associação e reunião pacíficas e o exercício da liberdade sindical, garantidos nos padrões internacionais de proteção dos direitos humanos, a Constituição nacional e a legislação em vigor”.

“As mais recentes vítimas da recorrente perseguição governamental são os trabalhadores e dirigentes sociais, mobilizados pela defesa dos seus direitos e conquistas, e em plena e severa crise que agudizou a desigualdade, a pobreza e a precarização das condições e vida”, acrescentou a organização.