O PSD votou contra o Orçamento da Câmara Municipal de São Vicente, considerando que o documento é “pouco ambicioso” e prejudicial para a população do concelho. As críticas foram feitas por António Gonçalves, vereador social-democrata, que apontou “falhas estratégicas, cortes injustificados e erros contabilísticos, jurídicos e financeiros”.
Segundo o vereador, o orçamento apresenta um “resultado líquido negativo, com um prejuízo estimado em cerca de quatro milhões de euros”. Para António Gonçalves, este dado, por si só, já revela a “fragilidade” do documento financeiro apresentado pelo atual Executivo.
Entre as principais críticas, está a ausência de verbas destinadas à intervenção nas Grutas de São Vicente, uma das bandeiras políticas assumidas pelo Chega durante a campanha eleitoral. “Não existe qualquer verba prevista para as Grutas, o que demonstra falta de estratégia na resolução de um dossiê crucial para o concelho”, afirmou.O apoio aos agricultores e viticultores é outro ponto destacado pelo PSD. António Gonçalves sublinha que, apesar das promessas eleitorais do Executivo, nomeadamente “o apoio de 50% na aquisição de produtos fitofarmacêuticos, o orçamento não contempla qualquer verba para esse fim”.
O vereador social-democrata criticou ainda a previsão de alienação de património municipal no “valor de cerca de 180 mil euros”, lembrando que essa prática foi fortemente criticada pelo atual Executivo quando o PSD estava no poder.
Mais afirmou que o documento orçamental prevê também cortes de cerca de 11% nos apoios às associações culturais, desportivas, sociais e recreativas do concelho. Para António Gonçalves, estes cortes são injustificáveis.Perante este cenário, o vereador conclui que é “impossível votar a favor de um dossier catastrófico”, apontando a existência de vários “erros de natureza contabilística, jurídica e financeira”.
Resposta às acusações de “orçamentos inflacionados”
António Gonçalves respondeu ainda às acusações do atual Executivo, que acusou o PSD de apresentar, no passado, orçamentos “inflacionados”. O vereador rejeita essa ideia, afirmando que todas as verbas previstas nos anteriores orçamentos foram executadas.
Como exemplo, referiu os cerca de “600 mil euros destinados à reformulação da Escola das Ginjas para fins de habitação social, verba que o atual Executivo alegou ter sido perdida. Segundo o vereador do PSD, esses fundos estão agora contemplados no orçamento em vigor, provando que não houve qualquer perda nem inflação orçamental.